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À DISTÂNCIA DE UM PENSAMENTO

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Perdi-me em ti na beleza dos teus olhos, na serenidade do teu sorriso. Fiz do teu corpo abrigo.    Fiz-me guardião do teu destino, prometi estar lá, nos momentos em que tudo se torna escuro, prometi não desistir, secar as tuas lágrimas, beijar os teus lábios…    No silêncio da noite, aprendi a reconhecer-te, a saber que nada poderia ser diferente. Aprendi os teus movimentos em mim e a reconhecê-los como uma dança coordenada, acompanhada do bater de dois corações perfeitamente compassados.    Estilhacei a ilusão para te fazer acreditar que não sou uma ilusão. A mão que te ampara é real, os dedos que percorrem o teu rosto são reais, os lábios que naufragam nos teus são feitos de verdade, paixão e amor.    No berço do teu colo encontrei a paz prometida, a melodia das tuas palavras, a suavidade da tua respiração. Fechei os olhos e sonhei com um mundo nosso, um mundo perfeito.    Fundi a minha vontade na tua para te salvar do medo, peguei nas tuas mãos e ergui-te acima da mediocridade deste mun…

Untitled

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Dai-me um dia branco, um mar de beladona  Um movimento Inteiro, unido, adormecido Como um só momento.
Eu quero caminhar como quem dorme Entre países sem nome que flutuam.
Imagens tão mudas Que ao olhá-las me pareça Que fechei os olhos.
Um dia em que se possa não saber. SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN In Coral, 1950

O VAZIO DO SILÊNCIO

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Parece que me escrevi como se escreve, como se o vento outonal me tivesse varrido os pensamentos e me tivesse apenas deixado desertos estéreis e nus de sentimentos. As palavras parecem que já não pulsam nas minhas veias, como sangue que procura nova vida, no amor, novas histórias de ilusória felicidade e fantasia.
Fico aqui horas a fixar ardemente o papel branco como se por milagre as palavras se escrevessem e se traduzissem no que facto sinto e quero dizer... Dizem que me falta a inspiração, embora no meu âmago me parecer que falta muito mais que isso, é como se uma parte de mim se tivesse desprendido do resto, como a alma que se separa do corpo no momento do último suspiro...
Virão de novo as palavras? Virão de novo como as novas folhas na primavera depois de um longo inverno? É apenas mais uma resposta entre muitas às quais não tenho resposta. Tudo o que sinto, tudo o que sou, resume-se apenas a silêncio e olhares distantes para lugares nenhuns... Todos os dias exactamente iguais, todas a…

NWO

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AMAR COMO AMAR

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Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? Fernando Pessoa

BEIJOS E OUTRAS FORMAS DE DIZER O QUE SE SENTE....

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oh, os teus beijos... os teus beijos meu amor, são trovas nunca cantadas, poesias nunca declamadas, são desejos nunca sonhados, sentimentos nunca sentidos  oh, meu amor, os teus olhos são mares nunca navegados, fontes nunca descobertas, rios nunca desaguados  oh, meu amor, o teu corpo é paraíso nunca imaginado, é refúgio sempre ansiado, é ternura em forma de poesia  oh, meu amor, a nossa eternidade será famosa entre as estrelas aquelas de entre todas as coisas as mais belas e discretas.
Bruno:Carvalho

O PESO DO SILÊNCIO

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Quando o peso do silêncio nos cai sobre os ombros obrigando-nos a vergar e encarar o chão com a amargura do passar dos minutos, chegamos à conclusão que por mais que sonhemos num futuro mais brilhante e esperançoso, isso não vai chegar... Nessas horas mais negras em que nem o brilho belo da lua é suficiente para nos lavar a mágoa da alma, tudo se torna claustrofóbico e as paredes parecem fechar-se sobre nós, sufocando-nos, impedindo-nos de libertar as asas e escapar à prisão interior, aquela que nos prende mais, que não nos deixa ser felizes e sermos nós próprios... Por vezes o preço de um sorriso é demasiado caro, por vezes o preço do amor é demasiado grande para podermos pagar, aí resta-nos a dor e o seu abraço eterno.
Bruno:Carvalho Agosto 2015

A ÚLTIMA DERROTA

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Quando somos derrotados pelos acontecimentos que moldam a nossa vida o melhor a fazer é calar e engolir a dor que nos abala como um terramoto abana a terra que pisamos.
È mais fácil desse modo, seria ainda mais fácil substituir o amor por ódio e virar a cara para não fitarmos a desolação que nos rodeia, mas de fracos não reza a história por isso calemos e abracemos a dor, levando cada dia como se fosse o último, resistindo estoicamente ao impulso de verbalizarmos o que tanto dói.
Abracemos também o silêncio e a solidão, pois parece que são as coisas que mais certas temos nesta vida.

É pena que aquilo que nos torna tão singularmente especiais, além das outras criaturas, não nos prepare para o impacto de certos sentimentos na nossa vida, sendo que a perda e o amor serão talvez os mais complicados de lidar, e quando se conjugam podem ser devastadores.
Mas o que nos impele a continuar a andar e a lutar? O que nos faz lutar por impossíveis e sonhar com um dia melhor no dia seguinte? Depois de …

THE VOID

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Let me welcome you into the void What a great story death can tell Phantom visions left astray in time Let me stay away, the abyss opens before me
Odd riddles, fainted memories of sensual desires A tread a path of ruin, I let myself go The night tells a different story, a poem of solitude Deliverance, a wish burnt in a million empty words
Black roses laid in my frozen tomb I crawl in the snow, failing to see the way Sleep is my house, hope my dream
You left me behind, I understand your fear Withered desires, shattered dreams best forgotten Oblivion it’s just a step away Let me welcome you, this is my void.
Bruno:Carvalho

TANGLED

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So, this is our last goodbye... Life goes on....

TUDO...

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Peguei na tua foto mais bonita e fiquei ali, incerto, confuso e arrebatado ao mesmo tempo. A difícil tarefa de te descrever, apenas olhando e sem palavras ou ruídos de fundo, olhei os teus olhos como se ao olhar aquela foto pudesse de facto fazer o tempo andar para trás, para aqueles primeiros momentos, o primeiro minuto em que a paixão desabrochou... Passou tanto tempo, tenho-te em mim desde sempre como tivesses sido o inicio e o final de toda a minha vida, olho a foto, mas as minhas mãos continuam vazias... Deite-te todos os nomes, inventei mil e uma noites de amor, puro, despido de insignificâncias, apenas uma noite calorosa de paixão, de querer ser e poder ter, no meu abraço o teu corpo. Não sou nada e a pouco ambiciono, olho esta foto, tenho-a como a mais perfeita de todos mas sei que todas elas são perfeitas, abrem-se como janelas para uma paisagem bucólica, onde tudo parece perfeito para além da sua inerente imperfeição...
E amo-te ainda, sei-o, está nos meus ossos, nos meus músculo…

THE BLEAKNESS OF DEATH

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And there I stood facing the path I’ve chosen Like fallen leaves in the snow, I leave my footsteps in the heart of every man I’ve chosen the night, this is my night, a eternal night. And I fought, I fought bravely for my forsaken freedom
I left you buried in ashes The ashes of our mistaken love The blood that stain my hands will make me remember There will be things I’m destined to recall Others simply will fall in forgetfulness
And now I lay frozen in this open tomb The bleakness of death drowning my wretched body In this prison inside I foreshadow the end of all life Repent if you want to be saved
I’m already condemned.
Bruno:Carvalho

DEAD

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And now I lay dead The testimony of my blood written in the stars Now I burn the remnant light Shall darkness arrive, long shall be the night
Last words left astray by my side I curse your blessing disguise I rather see you naked than in that hateful gown As death rises triumphant I cast my dreams away
A sweet tragedy, my ember tears frozen in your eyes As winters dresses the earth with white and cold I burn goodbyes in dying eyes
I cherish bleakness, end finally arrived.
Bruno:Carvalho

BLEAKNESS

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Teimo em acordar vivo, como se a vida fosse uma maldição entranhada na pele. Sem objectivos, sem sentido ou perdido no caminho, direcções demasiado confusas, ofuscadas por uma escuridão permanente, uma escuridão muito maior que a luz mais brilhante.
Teimo em acordar dos sonhos, mesmo que estes sejam mil vezes melhores que a realidade, mesmo que por vezes sejam pesadelos... A minha alma grita mas nenhum som se ouve neste quarto vazio... As lágrimas teimam em não lavar nada, as desilusões, os erros, a culpa, o passado demasiado pesado para poder carregar sobre os ombros, continuo a cair como se doesse estar vivo, como fosse um pesadelo respirar...
Todas as noites espero adormecer para sempre, que melhor fuga, para esta maldita tentativa de existir. Amaldiçoado, abandonado, despedaçado no vento da manhã, acordo para mais um dia igual a todos os outros... E o meu prazo de validade aproxima-se, cada vez mais violento, cada vez mais impossível de ignorar a cada estremecimento do meu corpo desfigu…

UNIVERSAL

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Somos somas de muitas decisões, membros activos de uma equação cósmica, fios invisíveis de uma mesma consciência, única, eterna... Somos muito mais do que espelhos quebrados por dilemas morais, somos amor, somos beleza e divindade, somos o vazio e a plenitude ao mesmo tempo, o tudo e o nada, o sol e a lua, a noite e a madrugada.
O corpo que sustenta a nossa alma não fala, é um invólucro temporário, um casulo de onde a nossa consciência transborda como uma borboleta no inicio da sua perene e curta existência. A forma do nossos corpos não comunica conscientemente, a forma como empatizamos, nos ligamos como ser humanos entre os nossos semelhantes e os outros seres faz-se através da alma, apenas nela reside a verdadeira beleza e de nada vale que nos tentem impingir estereótipos, tentando convencer-nos que pela observação da nossa forma palpável somos mais bonitos ou mais feios, mais dignos ou indignos de amar!... O corpo em si apenas fala em raras ocasiões, quando por exemplo numa partilha i…

PALAVRAS NO SILÊNCIO

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Passo as mãos pelas curvas do teu corpo marcadas nos lençóis A memória de um beijo despojado nos meus lábios A esperança cravada no teu olhar, O doce murmúrio das tuas palavras no silêncio A noite despedaça-se em mil fragmentos de silêncio As estrelas colidem em gritos de desejo nos teus olhos Fico firme agarrado a doçura do teu beijo Trago o seu sabor marcado na minha pele
Desvendo o sonho, largo a fantasia ao ritmo do coração Dispo-me da frágil condição de triste sonhador E liberto-me nas ondas confortantes do teu desejo Aqui onde mora a incerteza, mora o consolo da paixão
Abro a janela, deixo a lua espreitar Neste instante parado no tempo Neste abraço há mil anos esperado Mergulho na bravura inane do teu olhar
Bruno:Carvalho

STILL STANDING

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Desilusões, umas atrás das outras... Nem olhar as estrelas, nem sonhar, nem confiar, nos livram delas...  Vale a pena confiar?  Não! Não vale a pena, nada vale a pena, parece que quando o mundo nos deita abaixo existem mil pessoas em cima do mesmo, para se certificarem que ficamos definitivamente lá no fundo... Não devemos nada a ninguém, a não ser a nós próprios... Iludimos-nos ao pensar que por vezes alguém se importa com a nossa insignificância... O que há no fim do que nós resta? NADA!!! Resta-nos esperar que a MORTE nos alcance, e que bela é a sua serenidade e promessa de paz...
Bruno:Carvalho Julho 2015
Hater, hater this is for you!!!! I'm still standing!!!

FLOODING

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"The Flood"                                                         Tie me down
                                                    If I reach for sunlight                                                            Lift me up As I scrape the ground
Cut my cord While you see me climbing Let me drop To where I won't be found
Stay with me now when I'm falling Drown me when I reach for air
Leave me broken While my spirit shatters Unchain me When I drown in shame
Blindfold me When I search for an answer Help me see    If I've played your game
LEPROUS    

AMANHECER EM TI

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As minhas noites passam-se entre murmúrios E recordações fugazes de momentos incertos Em espaço vazio, lamento o desperdiçar do tempo À espera do terno amanhecer em ti
A janela aberta, a solidão entra sorrateira Ciente do destino frágil da carne Um desejo invisível que arde na pele Um desejo moribundo marcado nos lençóis
As minhas noites fazem-se de lamentos inquietos A Voz clamada em franco desespero Um grito sufocado por anos de esquecimento Preciso de despertar, de renascer em ti
O meu amor, a minha consolação despejada no vazio Agarro-me à última luz de um dia que demorou a passar Volta agora o sonho, a esperança descarnada Amanhece em ti a miragem do meu corpo.
Bruno:Carvalho

DIAS DESERTOS

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Em dias desertos De medos despertos Em quartos vazios Desolados e frios Em ruas paradas Com luzes apagadas Em corações sozinhos De emoções despidos Naqueles momentos sombrios Quando os movimentos se tornam esguios Dorme o meu amor A minha angústia e dor Cresce a minha paixão No meio de tal desolação Em minutos inconsequentes Crescem desejos omnipresentes Solto um beijo na escuridão No regaço ausente da ilusão.
Estou só no deserto da vida Espero vazio pela paz merecida
Bruno:Carvalho

LUZ

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Sabem aquela sensação de estar no fundo do poço, de sentir tudo à nossa volta desmoronar-se, sentir as correntes que nos prendem a uma solidão sem fim? Saberão por certo aqueles que passaram ou passam por isso... Passar todos os dias a desejar ardentemente por um pouco de luz, uma esperança que nos impeça de cair no abismo, algo para lutar, para sonhar e ambicionar. Os que sabem isto tudo também sabem que por vezes essa luz acaba por aparecer, normalmente da forma mais inesperada possível, pode vir de um sorriso, de uma flor, de uma música, de um poema, ou de uma pessoa totalmente desconhecida com um par de fotos e um nome na tela de um computador. Mergulhar no desconhecido agarrado a uma pequena esperança, pode fazer milagres numa alma brutalizada pelas agruras do desespero. Ganha-se força, sabendo que algures está alguém a sentir o mesmo que nós, mesmo longe, impossível deixar de sentir que está perto, basta palavras de consolo e compreensão. Por muito que escrevesse agora nunca daria par…

DIFÍCIL

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É difícil olhar para trás e não conseguir encontrar a altura em que te perdi e com isso me perdi a mim mesmo. O tempo avança e tento manter-me à tona, viver o presente, enterrar o passado e esperar que haja um futuro, mas não é fácil esquecer algo com o que se viveu tanto tempo... É difícil escolher as palavras certas para os momentos certos, tantos erros, tanta coisa mal dita, tanto grito sufocado na garganta.  É difícil não desistir apesar de tudo parecer contra ti, dizem que o amor é o maior sentimento e que o tempo tudo cura, mas então porque estou assim perdido, à deriva num navio sem velas, vagueando ao sabor das marés. É difícil dormir, quando te sonho apenas a ti, todas as outras noites perdem na obscuridade de um amanhecer encoberto. É difícil evitar chorar quando vejo o teu sorriso, como uma flor que desabrocha numa manhã de Primavera inconsciente da beleza que ostenta. Tudo me resta é apanhar os pedaços do que sobrou de mim e tentar colá-los com a pouca força que me resta. Difícil…

O DESEJO

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Desejei adormecer naquele teu abraço Todas as palavras omitidas levadas pelo vento Desejei parar o tempo na doçura do teu olhar A marca dos teus lábios marcada na minha pele
A desesperança deixada pelo passar do tempo Oculto-me na sombra do teu último adeus Ecos perdidos na minha noite vazia O eco das tuas palavras desenhado no meu silêncio
Desejei perder-me no labirinto do teu coração Absorver a loucura do teu desejo emergente A tua pele sob a minha mão, ardente e faminta O desejo a implodir no meu corpo
Desejei não mais desejar a sanidade que me prende Quis libertar-me no céu varrido pela tempestade Fiz-me relâmpago para iluminar aquele segundo moribundo Explodi na voz do trovão para rasgar o véu da pureza
E caí rumo à terra, ao abraço carnal do teu prazer No limiar do êxtase fiz-me abismo para jamais parar Na cadência do bater do teu coração fiz-me dança e canção Na leveza do teu sorriso, fiz-me poeta para te declamar.
Bruno:Carvalho



UM BERÇO DE ESTRELAS

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Vejo-te sorrir nos meus sonhos Passas alegre nas asas do tempo Afundo-me na profundidade dos teus olhos Embalado pela doçura do teu beijo
Acordo mergulhado na frescura da manhã Lençóis espalhados pelo chão Vítimas de uma dança invisível Testemunhas fiéis da força do amor
E ali fico maravilhado pela tua beleza Extasiado pela marca dos teus lábios na minha pele E ali fico feliz, ancorado na tua paz À espera da próxima noite
Chega a noite, nasce a lua num berço de estrelas Prendo o teu perfume no meu rosto Seguro a tua mão e de novo o tempo pára Prendo o teu amor no meu coração.
Bruno:Carvalho

SOMOS...

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Somos feitos da matéria das estrelas, preenchidos por demasiadas ausências, numa procura infinita pela luz no fim do mundo, o nosso mundo, povoado por fantasias e sonhos inalcançados. Somos poeira, somos escuridão quando a noite não é meiga para nós e o luar beija a nossa pele como lâminas afiadas, ficam as feridas e as cicatrizes de desejos moribundos, feitos abstractos e escritos esquecidos... Somos vazio quando tendemos a esquecer da glória que outrora fomos feitos, quando caímos num torpor desesperado que não nos deixa levantar voo de novo. O sol faz-se lua nova e tudo de obscuridade se disfarça, quando por detrás da máscara sorrimos de escárnio perante o nosso próprio reflexo, e quando vida teima abandonar o nosso olhar, caímos nos braços de um ódio que nos consome, fazendo-nos esquecer que somos, no nosso intimo, feitos de amor. Somos farrapos de neve moribundos à deriva no furioso vento de Inverno, no olho da tempestade, na periferia da realidade alternativa que tanto buscamos, na …

GHOST WHISPER

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Just a shameless lie You left me to die alone Now I lurk in the shadows In the bleakness of this illusion
A brave murder they tell A lonesome victory of the fallen Do you feel me whispering at your side? A sweet phantom eyes veiling your sleep
And so I mourn, defeated A lament echoes in this vile silence It’s still life calling my name It’s still love mourning in my grave
And so I feed of darkness and solitude Hear my chant, can you hear it now? As the wind blows the healing sounds of the morning I dive deeper down in the funeral ground
Bruno:Carvalho

MY DREAMS

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Is this the emptiness they told me about? Did darkness came to caress me? For many years I fought When light was only a sense of existence
Have you returned to destroy me? Didn’t I bravely took your hand When mist tried to embrace you? So why this meaningless acts of disturbance?
Didn’t I forsaken you in my deepest memories? I tore my beliefs to understand your meaning Didn’t my nights turned empty shells of regret? My tears froze in the vast of your creation
My dreams, why did they returned? A premonition left astray in the mirage of time Have you came to inflict me pain? It’s pain that feeds me, it’s death I dream.
Bruno:Carvalho

A LÁGRIMA ESCONDIDA

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A corrente vazia A fome perene que parece explodir-me por dentro A solidão, o reflexo que não quero ser Fico amarrado ao desconforto, à ânsia de querer ser pó Invisível, derramado no vento, deposto do trono Cai a minha máscara, rompe-se o silêncio moribundo
A lágrima escondida A desolação amarelecida das minhas memórias Desejos perdidos, sentimentos olvidados numa realidade abstracta Perdi-me na frieza da noite À espera de ver-te no nascer da alvorada Plena de emoção, a tua beleza espalhada pelo meu acordar
A verdade ferida Vejo os sonhos fugirem com os olhares vazios Fantasmas esguios, sombras que me arrancam a serenidade Tenho que ir, é só minha a culpa O desejo, o amor, o prazer, o desejo De te querer, de te consumir para além de qualquer dúbia razão.
Bruno:Carvalho

Urgentemente

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É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.
É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros, e a luz impura até doer. É urgente o amor, É urgente permanecer

Eugénio de Andrade

LUA DE INVERNO

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Olha lá no céu a lua que sorri Por entre esta fria noite de Inverno Limpa a escuridão do teu caminho Apaga o cansaço do teu olhar.
Adormece no seu berço iluminado Sonha com os anjos Para que venham amparar o teu sono Numa dança eterna de prazer.
Olha! Ela vela o teu leito E nela verás os contornos do meu rosto Que ele te ampare as lágrimas Que ele te dê forças para continuar.
Bruno:Carvalho

O Limpa - Palavras

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Limpo palavras. Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor. Trato delas durante o dia enquanto sonho acordado. A palavra solidão faz-me companhia.
Quase todas as palavras precisam de ser limpas e acariciadas: a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar. Algumas têm mesmo de ser lavadas, é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias e do mau uso. Muitas chegam doentes, outras simplesmente gastas, estafadas, dobradas pelo peso das coisas que trazem às costas.
A palavra pedra pesa como uma pedra. A palavra rosa espalha o perfume no ar. A palavra árvore tem folhas, ramos altos. Podes descansar à sombra dela. A palavra gato espeta as unhas no tapete. A palavra pássaro abre as asas para voar. A palavra coração não pára de bater. Ouve-se a palavra canção. A palavra vento levanta os papeis no ar e é preciso fechá-la na arrecadação.
No fim de tudo voltam os olhos para a luz e vão para longe, leves palavras voadoras sem nada que as prenda à terra, outra vez nascidas pela minha mão: a …