sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

À DISTÂNCIA DE UM PENSAMENTO

Perdi-me em ti na beleza dos teus olhos, na serenidade do teu sorriso. Fiz do teu corpo abrigo.
   Fiz-me guardião do teu destino, prometi estar lá, nos momentos em que tudo se torna escuro, prometi não desistir, secar as tuas lágrimas, beijar os teus lábios…
   No silêncio da noite, aprendi a reconhecer-te, a saber que nada poderia ser diferente. Aprendi os teus movimentos em mim e a reconhecê-los como uma dança coordenada, acompanhada do bater de dois corações perfeitamente compassados.
   Estilhacei a ilusão para te fazer acreditar que não sou uma ilusão. A mão que te ampara é real, os dedos que percorrem o teu rosto são reais, os lábios que naufragam nos teus são feitos de verdade, paixão e amor.
   No berço do teu colo encontrei a paz prometida, a melodia das tuas palavras, a suavidade da tua respiração. Fechei os olhos e sonhei com um mundo nosso, um mundo perfeito.
   Fundi a minha vontade na tua para te salvar do medo, peguei nas tuas mãos e ergui-te acima da mediocridade deste mundo que, simplesmente não te compreende.
   Fiz de ti a minha cura. A vontade de ser maior do que um pálido reflexo de mim. Contigo aprendi a valorizar o tempo, a viver cada minuto como se do último se tratasse.
   Tornaste-te a minha noite, o meu conselho, a minha companhia, a certeza da salvação, derrubaste todas as barreiras interiores e tornaste-te igual a mim. Reconheceste a minha verdadeira face, sem máscaras sem preconceitos mundanos ou desejos agrilhoados pelo medo.
   Libertaste-me, meu amor, minha musa renascida, meu anjo de paz…
   E eu fiz-me teu, perdi-me em ti.
   Alimentaste os meus sonhos, agora alimento a tua realidade, pois eu estou além de qualquer ilusão, sonho ou medo, basta que me toques no peito e sintas o meu coração bater.
  E vê no meu rosto as lágrimas cair, lágrimas de alegria, testemunhas de um sentimento maior que as palavras.
   E, aqui estou eu, à espera. E aqui estarei sempre, à distância de um pensamento.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Untitled

Dai-me um dia branco, um mar de beladona 
Um movimento 
Inteiro, unido, adormecido 
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme 
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas 
Que ao olhá-las me pareça 
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
In Coral, 1950


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O VAZIO DO SILÊNCIO

Parece que me escrevi como se escreve, como se o vento outonal me tivesse varrido os pensamentos e me tivesse apenas deixado desertos estéreis e nus de sentimentos.
As palavras parecem que já não pulsam nas minhas veias, como sangue que procura nova vida, no amor, novas histórias de ilusória felicidade e fantasia.
Fico aqui horas a fixar ardemente o papel branco como se por milagre as palavras se escrevessem e se traduzissem no que facto sinto e quero dizer...
Dizem que me falta a inspiração, embora no meu âmago me parecer que falta muito mais que isso, é como se uma parte de mim se tivesse desprendido do resto, como a alma que se separa do corpo no momento do último suspiro...
Virão de novo as palavras? Virão de novo como as novas folhas na primavera depois de um longo inverno?
É apenas mais uma resposta entre muitas às quais não tenho resposta.
Tudo o que sinto, tudo o que sou, resume-se apenas a silêncio e olhares distantes para lugares nenhuns...
Todos os dias exactamente iguais, todas as sombras exactamente iguais, todos os fantasmas e demónios de novo nos meus sonhos... E pelo que espero eu?
Talvez espere por me encontrar de novo pois estou certo que me perdi algures no tempo, no meu passado que não pode voltar a ser presente...

Bruno:Carvalho
Outubro 2015

terça-feira, 1 de setembro de 2015

AMAR COMO AMAR

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?
Fernando Pessoa

BEIJOS E OUTRAS FORMAS DE DIZER O QUE SE SENTE....

oh, os teus beijos... os teus beijos meu amor, são trovas nunca cantadas, poesias nunca declamadas, são desejos nunca sonhados, sentimentos nunca sentidos
 oh, meu amor, os teus olhos são mares nunca navegados, fontes nunca descobertas, rios nunca desaguados
 oh, meu amor, o teu corpo é paraíso nunca imaginado, é refúgio sempre ansiado, é ternura em forma de poesia
 oh, meu amor, a nossa eternidade será famosa entre as estrelas aquelas de entre todas as coisas as mais belas e discretas.

Bruno:Carvalho


domingo, 30 de agosto de 2015

O PESO DO SILÊNCIO

Quando o peso do silêncio nos cai sobre os ombros obrigando-nos a vergar e encarar o chão com a amargura do passar dos minutos, chegamos à conclusão que por mais que sonhemos num futuro mais brilhante e esperançoso, isso não vai chegar...
Nessas horas mais negras em que nem o brilho belo da lua é suficiente para nos lavar a mágoa da alma, tudo se torna claustrofóbico e as paredes parecem fechar-se sobre nós, sufocando-nos, impedindo-nos de libertar as asas e escapar à prisão interior, aquela que nos prende mais, que não nos deixa ser felizes e sermos nós próprios...
Por vezes o preço de um sorriso é demasiado caro, por vezes o preço do amor é demasiado grande para podermos pagar, aí resta-nos a dor e o seu abraço eterno.

Bruno:Carvalho
Agosto 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

A ÚLTIMA DERROTA

Quando somos derrotados pelos acontecimentos que moldam a nossa vida o melhor a fazer é calar e engolir a dor que nos abala como um terramoto abana a terra que pisamos.

È mais fácil desse modo, seria ainda mais fácil substituir o amor por ódio e virar a cara para não fitarmos a desolação que nos rodeia, mas de fracos não reza a história por isso calemos e abracemos a dor, levando cada dia como se fosse o último, resistindo estoicamente ao impulso de verbalizarmos o que tanto dói.

Abracemos também o silêncio e a solidão, pois parece que são as coisas que mais certas temos nesta vida.


É pena que aquilo que nos torna tão singularmente especiais, além das outras criaturas, não nos prepare para o impacto de certos sentimentos na nossa vida, sendo que a perda e o amor serão talvez os mais complicados de lidar, e quando se conjugam podem ser devastadores.

Mas o que nos impele a continuar a andar e a lutar? O que nos faz lutar por impossíveis e sonhar com um dia melhor no dia seguinte? Depois de mais uma noite de gritos abafados e lágrimas engolidas, amarrados à segurança de uma almofada do lado vazio e frio da nossa cama...


Cada um terá em si a resposta, sendo que a minha a mim me pertence e ficará para sempre nesse silêncio auto-imposto, na regra de calarmos o que nos vai na alma...

O sentimento de não pertencer a um sitio e no fundo estar para sempre preso a ele é bastante desolador...
É o que tenho a dizer hoje, num dia que a dor se tornou tão forte quem nem as palavras fazem sentido...

Bruno:Carvalho
Agosto 2015

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

THE VOID

Let me welcome you into the void
What a great story death can tell
Phantom visions left astray in time
Let me stay away, the abyss opens before me

Odd riddles, fainted memories of sensual desires
A tread a path of ruin, I let myself go
The night tells a different story, a poem of solitude
Deliverance, a wish burnt in a million empty words

Black roses laid in my frozen tomb
I crawl in the snow, failing to see the way
Sleep is my house, hope my dream

You left me behind, I understand your fear
Withered desires, shattered dreams best forgotten
Oblivion it’s just a step away
Let me welcome you, this is my void.

Bruno:Carvalho

sábado, 15 de agosto de 2015

TANGLED

So, this is our last goodbye...
Life goes on....

TUDO...

Peguei na tua foto mais bonita e fiquei ali, incerto, confuso e arrebatado ao mesmo tempo.
A difícil tarefa de te descrever, apenas olhando e sem palavras ou ruídos de fundo, olhei os teus olhos como se ao olhar aquela foto pudesse de facto fazer o tempo andar para trás, para aqueles primeiros momentos, o primeiro minuto em que a paixão desabrochou...
Passou tanto tempo, tenho-te em mim desde sempre como tivesses sido o inicio e o final de toda a minha vida, olho a foto, mas as minhas mãos continuam vazias...
Deite-te todos os nomes, inventei mil e uma noites de amor, puro, despido de insignificâncias, apenas uma noite calorosa de paixão, de querer ser e poder ter, no meu abraço o teu corpo.
Não sou nada e a pouco ambiciono, olho esta foto, tenho-a como a mais perfeita de todos mas sei que todas elas são perfeitas, abrem-se como janelas para uma paisagem bucólica, onde tudo parece perfeito para além da sua inerente imperfeição...
E amo-te ainda, sei-o, está nos meus ossos, nos meus músculos, na minha pele, na minha voz e nas lágrimas que todas as noites encolhido e agarrado à almofada derramo silenciosamente...
E agarro-me a estas pequenas coisas, aos olhares trocados, às pequenas coisas oferecidas, um colar em forma de coração, uma flor, um vídeo, um poema, um texto de uma noite quente de prazer enternecedor...
Claro que me lembro que neste tempo todo nem tudo foi perfeito, palavras foram ditas, palavras que deviam ter morrido à nascença sofucadas na garganta, em cada uma delas tenho o meu arrependimento e um pouco desta dor da tua ausência... amo-te... mas não é o suficiente...
E tudo o que queria era apresentar-te ao mundo, dizer quem és, o que significas, o que sempre serás para mim, mas nada resta neste momento além de ficar aqui todas as noites a olhar a tua mais perfeita foto de todas, agarrado às memórias, seduzido ainda pelas ilusões que tomaram conta de mim naquele dia, deves lembrar-te ainda daquele dia...
Sei o meu destino ficarei preso por um fio entre a vida e a morte porque soube não ter medo de amar, arrisquei, perdi é certo, mas arrisquei e soube o que aconteceu em vez de ficar na dúvida do que aconteceria se...
Nada aconteceu, o mundo gira à mesma velocidade mas o tempo parece ser mais célere e cruel...
Na tua foto, o teu cabelo, o teu olhar, o teu sorriso perfeito e o meu adeus para sempre marcado...

Bruno:Carvalho
Agosto 2015

Aqui fica o "nosso" vídeo, a mesma música, as mesmas palavras, diferentes imagens...

THE BLEAKNESS OF DEATH

And there I stood facing the path I’ve chosen
Like fallen leaves in the snow,
I leave my footsteps in the heart of every man
I’ve chosen the night, this is my night, a eternal night.
And I fought, I fought bravely for my forsaken freedom

I left you buried in ashes
The ashes of our mistaken love
The blood that stain my hands will make me remember
There will be things I’m destined to recall
Others simply will fall in forgetfulness

And now I lay frozen in this open tomb
The bleakness of death drowning my wretched body
In this prison inside I foreshadow the end of all life
Repent if you want to be saved

I’m already condemned.

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

DEAD

And now I lay dead
The testimony of my blood written in the stars
Now I burn the remnant light
Shall darkness arrive, long shall be the night

Last words left astray by my side
I curse your blessing disguise
I rather see you naked than in that hateful gown
As death rises triumphant I cast my dreams away

A sweet tragedy, my ember tears frozen in your eyes
As winters dresses the earth with white and cold
I burn goodbyes in dying eyes

I cherish bleakness, end finally arrived.

Bruno:Carvalho

BLEAKNESS

Teimo em acordar vivo, como se a vida fosse uma maldição entranhada na pele.
Sem objectivos, sem sentido ou perdido no caminho, direcções demasiado confusas, ofuscadas por uma escuridão permanente, uma escuridão muito maior que a luz mais brilhante.
Teimo em acordar dos sonhos, mesmo que estes sejam mil vezes melhores que a realidade, mesmo que por vezes sejam pesadelos...
A minha alma grita mas nenhum som se ouve neste quarto vazio... As lágrimas teimam em não lavar nada, as desilusões, os erros, a culpa, o passado demasiado pesado para poder carregar sobre os ombros, continuo a cair como se doesse estar vivo, como fosse um pesadelo respirar...
Todas as noites espero adormecer para sempre, que melhor fuga, para esta maldita tentativa de existir.
Amaldiçoado, abandonado, despedaçado no vento da manhã, acordo para mais um dia igual a todos os outros...
E o meu prazo de validade aproxima-se, cada vez mais violento, cada vez mais impossível de ignorar a cada estremecimento do meu corpo desfigurado, um navio naufragado demasiadamente perdido para ser salvo.
E nesta hora mais negra da minha existência nem o Amor me pode salvar, deixo-vos em assombros de beleza, um eterno adeus marcado numa página em branco...

Bruno:Carvalho
Agosto 2015

"It's a shame you won't live. But then again, who does?"

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

UNIVERSAL

Somos somas de muitas decisões, membros activos de uma equação cósmica, fios invisíveis de uma mesma consciência, única, eterna...
Somos muito mais do que espelhos quebrados por dilemas morais, somos amor, somos beleza e divindade, somos o vazio e a plenitude ao mesmo tempo, o tudo e o nada, o sol e a lua, a noite e a madrugada.
O corpo que sustenta a nossa alma não fala, é um invólucro temporário, um casulo de onde a nossa consciência transborda como uma borboleta no inicio da sua perene e curta existência. A forma do nossos corpos não comunica conscientemente, a forma como empatizamos, nos ligamos como ser humanos entre os nossos semelhantes e os outros seres faz-se através da alma, apenas nela reside a verdadeira beleza e de nada vale que nos tentem impingir estereótipos, tentando convencer-nos que pela observação da nossa forma palpável somos mais bonitos ou mais feios, mais dignos ou indignos de amar!...
O corpo em si apenas fala em raras ocasiões, quando por exemplo numa partilha intensa de sentimentos, nos amamos, aí sim, o corpo fala mas apenas como, mais uma vez reflexo do que cresce na nossa consciência, a mesma que partilhamos com todo o universo vivo e inanimado.
Em certo ponto das nossas vidas temos de proceder à reflexão que chegámos a este momento devido à soma de todas as nossas decisões, somos o aglomerado das mesmas, no entanto decisões passadas nunca impedirão que as futuras não sejam diferentes.
Não somos prisioneiros do destino nem daquilo que está escrito nas estrelas, por todo o nosso probabilistico universo poderemos ser um milhão de diferentes manifestações.
A cola que nos mantém coesos chama-se Amor e essa é a única verdade que nunca poderemos negar ou questionar...

Bruno:Carvalho
Agosto de 2015

sexta-feira, 31 de julho de 2015

PALAVRAS NO SILÊNCIO

Passo as mãos pelas curvas do teu corpo marcadas nos lençóis
A memória de um beijo despojado nos meus lábios
A esperança cravada no teu olhar,
O doce murmúrio das tuas palavras no silêncio
                 
A noite despedaça-se em mil fragmentos de silêncio
As estrelas colidem em gritos de desejo nos teus olhos
Fico firme agarrado a doçura do teu beijo
Trago o seu sabor marcado na minha pele

Desvendo o sonho, largo a fantasia ao ritmo do coração
Dispo-me da frágil condição de triste sonhador
E liberto-me nas ondas confortantes do teu desejo
Aqui onde mora a incerteza, mora o consolo da paixão

Abro a janela, deixo a lua espreitar
Neste instante parado no tempo
Neste abraço há mil anos esperado
Mergulho na bravura inane do teu olhar

Bruno:Carvalho

terça-feira, 28 de julho de 2015

STILL STANDING

Desilusões, umas atrás das outras... Nem olhar as estrelas, nem sonhar, nem confiar, nos livram delas... 
Vale a pena confiar? 
Não!
Não vale a pena, nada vale a pena, parece que quando o mundo nos deita abaixo existem mil pessoas em cima do mesmo, para se certificarem que ficamos definitivamente lá no fundo...
Não devemos nada a ninguém, a não ser a nós próprios... Iludimos-nos ao pensar que por vezes alguém se importa com a nossa insignificância...
O que há no fim do que nós resta?
NADA!!!
Resta-nos esperar que a MORTE nos alcance, e que bela é a sua serenidade e promessa de paz...

Bruno:Carvalho
Julho 2015

Hater, hater this is for you!!!!
I'm still standing!!!

domingo, 26 de julho de 2015

FLOODING


                                                         "The Flood"
                                                        
                                                        Tie me down

                                                    If I reach for sunlight
                                                           Lift me up
As I scrape the ground

Cut my cord
While you see me climbing
Let me drop
To where I won't be found

Stay with me now when I'm falling
Drown me when I reach for air

Leave me broken
While my spirit shatters
Unchain me
When I drown in shame

Blindfold me
When I search for an answer
Help me see
   If I've played your game

          LEPROUS     
   

AMANHECER EM TI

As minhas noites passam-se entre murmúrios
E recordações fugazes de momentos incertos
Em espaço vazio, lamento o desperdiçar do tempo
À espera do terno amanhecer em ti

A janela aberta, a solidão entra sorrateira
Ciente do destino frágil da carne
Um desejo invisível que arde na pele
Um desejo moribundo marcado nos lençóis

As minhas noites fazem-se de lamentos inquietos
A Voz clamada em franco desespero
Um grito sufocado por anos de esquecimento
Preciso de despertar, de renascer em ti

O meu amor, a minha consolação despejada no vazio
Agarro-me à última luz de um dia que demorou a passar
Volta agora o sonho, a esperança descarnada
Amanhece em ti a miragem do meu corpo.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 15 de julho de 2015

DIAS DESERTOS

Em dias desertos
De medos despertos
Em quartos vazios
Desolados e frios
Em ruas paradas
Com luzes apagadas
Em corações sozinhos
De emoções despidos
Naqueles momentos sombrios
Quando os movimentos se tornam esguios
Dorme o meu amor
A minha angústia e dor
Cresce a minha paixão
No meio de tal desolação
Em minutos inconsequentes
Crescem desejos omnipresentes
Solto um beijo na escuridão
No regaço ausente da ilusão.

Estou só no deserto da vida
Espero vazio pela paz merecida

Bruno:Carvalho

terça-feira, 14 de julho de 2015

LUZ

Sabem aquela sensação de estar no fundo do poço, de sentir tudo à nossa volta desmoronar-se, sentir as correntes que nos prendem a uma solidão sem fim?
Saberão por certo aqueles que passaram ou passam por isso...
Passar todos os dias a desejar ardentemente por um pouco de luz, uma esperança que nos impeça de cair no abismo, algo para lutar, para sonhar e ambicionar.
Os que sabem isto tudo também sabem que por vezes essa luz acaba por aparecer, normalmente da forma mais inesperada possível, pode vir de um sorriso, de uma flor, de uma música, de um poema, ou de uma pessoa totalmente desconhecida com um par de fotos e um nome na tela de um computador.
Mergulhar no desconhecido agarrado a uma pequena esperança, pode fazer milagres numa alma brutalizada pelas agruras do desespero.
Ganha-se força, sabendo que algures está alguém a sentir o mesmo que nós, mesmo longe, impossível deixar de sentir que está perto, basta palavras de consolo e compreensão.
Por muito que escrevesse agora nunca daria para descrever o sentimento de reconhecimento de duas almas perdidas buscando a mesma coisa na vida, sentido para a mesma.

Por isso agradeço-te Sofia, por a pequena luz ao fundo do túnel que me deste...

Bruno:Carvalho
Julho 2015

sexta-feira, 10 de julho de 2015

DIFÍCIL

É difícil olhar para trás e não conseguir encontrar a altura em que te perdi e com isso me perdi a mim mesmo.
O tempo avança e tento manter-me à tona, viver o presente, enterrar o passado e esperar que haja um futuro, mas não é fácil esquecer algo com o que se viveu tanto tempo...
É difícil escolher as palavras certas para os momentos certos, tantos erros, tanta coisa mal dita, tanto grito sufocado na garganta. 
É difícil não desistir apesar de tudo parecer contra ti, dizem que o amor é o maior sentimento e que o tempo tudo cura, mas então porque estou assim perdido, à deriva num navio sem velas, vagueando ao sabor das marés.
É difícil dormir, quando te sonho apenas a ti, todas as outras noites perdem na obscuridade de um amanhecer encoberto.
É difícil evitar chorar quando vejo o teu sorriso, como uma flor que desabrocha numa manhã de Primavera inconsciente da beleza que ostenta.
Tudo me resta é apanhar os pedaços do que sobrou de mim e tentar colá-los com a pouca força que me resta.
Difícil deixar-te para trás, lá no indistinto passado, quando tu és eterna e intemporal.
É aquele sentimento de arrebatamento, quando caminho pela floresta e respiro o ar livre da manhã, o mesmo acontece quando passas por mim e o teu perfume entranha-se sob a minha pele, e os teus cabelos se tornam uma vela desfraldada na liberdade, a vela que pode levar o meu navio a bom porto...
Sou eu, apenas eu, com tudo o que faz ser quem sou, defeitos, imperfeições, desilusões, sonhos e desejos.
Deixa-me voltar a ser eu para voltares a ser eu.
Deixa-nos ser um só...

"We belong together"

Bruno:Carvalho
Julho 2015


quarta-feira, 1 de julho de 2015

O DESEJO

Desejei adormecer naquele teu abraço
Todas as palavras omitidas levadas pelo vento
Desejei parar o tempo na doçura do teu olhar
A marca dos teus lábios marcada na minha pele

A desesperança deixada pelo passar do tempo
Oculto-me na sombra do teu último adeus
Ecos perdidos na minha noite vazia
O eco das tuas palavras desenhado no meu silêncio

Desejei perder-me no labirinto do teu coração
Absorver a loucura do teu desejo emergente
A tua pele sob a minha mão, ardente e faminta
O desejo a implodir no meu corpo

Desejei não mais desejar a sanidade que me prende
Quis libertar-me no céu varrido pela tempestade
Fiz-me relâmpago para iluminar aquele segundo moribundo
Explodi na voz do trovão para rasgar o véu da pureza

E caí rumo à terra, ao abraço carnal do teu prazer
No limiar do êxtase fiz-me abismo para jamais parar
Na cadência do bater do teu coração fiz-me dança e canção
Na leveza do teu sorriso, fiz-me poeta para te declamar.

Bruno:Carvalho




UM BERÇO DE ESTRELAS

Vejo-te sorrir nos meus sonhos
Passas alegre nas asas do tempo
Afundo-me na profundidade dos teus olhos
Embalado pela doçura do teu beijo

Acordo mergulhado na frescura da manhã
Lençóis espalhados pelo chão
Vítimas de uma dança invisível
Testemunhas fiéis da força do amor

E ali fico maravilhado pela tua beleza
Extasiado pela marca dos teus lábios na minha pele
E ali fico feliz, ancorado na tua paz
À espera da próxima noite

Chega a noite, nasce a lua num berço de estrelas
Prendo o teu perfume no meu rosto
Seguro a tua mão e de novo o tempo pára
Prendo o teu amor no meu coração.

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 19 de junho de 2015

SOMOS...

Somos feitos da matéria das estrelas, preenchidos por demasiadas ausências, numa procura infinita pela luz no fim do mundo, o nosso mundo, povoado por fantasias e sonhos inalcançados.
Somos poeira, somos escuridão quando a noite não é meiga para nós e o luar beija a nossa pele como lâminas afiadas, ficam as feridas e as cicatrizes de desejos moribundos, feitos abstractos e escritos esquecidos...
Somos vazio quando tendemos a esquecer da glória que outrora fomos feitos, quando caímos num torpor desesperado que não nos deixa levantar voo de novo.
O sol faz-se lua nova e tudo de obscuridade se disfarça, quando por detrás da máscara sorrimos de escárnio perante o nosso próprio reflexo, e quando vida teima abandonar o nosso olhar, caímos nos braços de um ódio que nos consome, fazendo-nos esquecer que somos, no nosso intimo, feitos de amor.
Somos farrapos de neve moribundos à deriva no furioso vento de Inverno, no olho da tempestade, na periferia da realidade alternativa que tanto buscamos, na incessante procura pelo significado de uma existência que é apenas isso, não é vida, não é plenitude nem realização.
A tempestade aproxima-se e a esperança de luz definha por entre as nuvens cinzentas, mais uma vez fugimos como escravos com medo da fúria do mestre, inconscientes que somos nós próprios o tão aterrador mestre.

Bruno:Carvalho
Junho 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

GHOST WHISPER

Just a shameless lie
You left me to die alone
Now I lurk in the shadows
In the bleakness of this illusion

A brave murder they tell
A lonesome victory of the fallen
Do you feel me whispering at your side?
A sweet phantom eyes veiling your sleep

And so I mourn, defeated
A lament echoes in this vile silence
It’s still life calling my name
It’s still love mourning in my grave

And so I feed of darkness and solitude
Hear my chant, can you hear it now?
As the wind blows the healing sounds of the morning
I dive deeper down in the funeral ground

Bruno:Carvalho

MY DREAMS

Is this the emptiness they told me about?
Did darkness came to caress me?
For many years I fought
When light was only a sense of existence

Have you returned to destroy me?
Didn’t I bravely took your hand
When mist tried to embrace you?
So why this meaningless acts of disturbance?

Didn’t I forsaken you in my deepest memories?
I tore my beliefs to understand your meaning
Didn’t my nights turned empty shells of regret?
My tears froze in the vast of your creation

My dreams, why did they returned?
A premonition left astray in the mirage of time
Have you came to inflict me pain?
It’s pain that feeds me, it’s death I dream.

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A LÁGRIMA ESCONDIDA

A corrente vazia
A fome perene que parece explodir-me por dentro
A solidão, o reflexo que não quero ser
Fico amarrado ao desconforto, à ânsia de querer ser pó
Invisível, derramado no vento, deposto do trono
Cai a minha máscara, rompe-se o silêncio moribundo

A lágrima escondida
A desolação amarelecida das minhas memórias
Desejos perdidos, sentimentos olvidados numa realidade abstracta
Perdi-me na frieza da noite
À espera de ver-te no nascer da alvorada
Plena de emoção, a tua beleza espalhada pelo meu acordar

A verdade ferida
Vejo os sonhos fugirem com os olhares vazios
Fantasmas esguios, sombras que me arrancam a serenidade
Tenho que ir, é só minha a culpa
O desejo, o amor, o prazer, o desejo
De te querer, de te consumir para além de qualquer dúbia razão.

Bruno:Carvalho

terça-feira, 2 de junho de 2015

Urgentemente

É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor, 
É urgente permanecer


Eugénio de Andrade


domingo, 31 de maio de 2015

LUA DE INVERNO

Olha lá no céu a lua que sorri
Por entre esta fria noite de Inverno
Limpa a escuridão do teu caminho
Apaga o cansaço do teu olhar.

Adormece no seu berço iluminado
Sonha com os anjos
Para que venham amparar o teu sono
Numa dança eterna de prazer.

Olha! Ela vela o teu leito
E nela verás os contornos do meu rosto
Que ele te ampare as lágrimas
Que ele te dê forças para continuar.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 27 de maio de 2015

O Limpa - Palavras


Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:

a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,
outras simplesmente gastas, estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.

Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.

ÁLVARO MAGALHÃES
O Limpa-Palavras e Outros Poemas


EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...