segunda-feira, 9 de março de 2015

LOVE LETTER

Olá, tenho saudades tuas.
Lembras-te do primeiro dia? Aquela sexta-feira de Primavera em que me encontrei ao encontrar-te?
Soube desde que os nossos olhos se cruzaram que a eternidade estava destinada a ser partilhada contigo.
Lembro-me do teu primeiro sorriso quando inevitavelmente choquei contra o único poste eléctrico da praça, depois de ter ficado arrebatado pelo teu olhar, lembro-me do teu toque quando colocaste gelo na minha testa e te riste divertida da minha expressão de incredulidade.
A Ironia foi que me tinha perdido nas ruas e vielas da cidade, mas mesmo perdido consegui encontrar quem andava à procura há tantos anos.
O mundo estava ao contrário naquela semana, estava a primeira vez de férias desde 10 anos antes, não gostava das férias, eram mais um castigo que uma bênção, deixavam-me em baixo e deprimido, gostava de ver gente, de falar, de contacto humano. Depois fiz praticamente o inverso do que gostava, fui para a praia quando o que adorava era o campo e fiz um cruzeiro quando não sabia de todo nadar.
Apesar de tudo isto só reforçou a minha crença que nada acontece por acaso nas nossas vidas, que tudo tem uma razão e um tempo para acontecerem.
Voltando a ti, é escusado dizer que me apaixonei à primeira palavra, os teus olhos castanhos iluminavam um rosto intocado pela imperfeição, o teu cabelo enquadrava aquela obra-prima caindo em cascata sobre os teus ombros, ao meu nariz chegou uma fragância de baunilha, de repente toda a dor de cabeça tinha passado.
Aquela semana e o resto da minha vida foram como viver dentro de um filme bonito. A minha juventude passada numa família conservadora tinha-me obstruído e impedido de acreditar em coisas que para muitos eram de uma naturalidade chocante, ali estava eu aos 35 anos a olhar para uma rosa que desabrochava em toda a juventude e frescura dos seus 24 anos. Admito que me enganei ao julgar-te inocente e ingénua, nos dias seguintes aprendi que os teus olhos mostravam mais que aquele fogo que me consumia, descobri que por trás deles moravam uma maturidade e uma personalidade que fazia inveja a pessoas muito mais velhas, eu incluído.
De início não acreditei ser possível partilhar contigo tudo o que tinha guardado no coração, tu o que estava reprimido por uma falsa sensação de moralidade rompeu o dique e jorrou livre nos teus braços.
Lembro-me meu amor que o teu sorriso era a imagem mais fiel da beleza e intocabilidade da natureza. A nossa natureza humana era capaz de implorar para poder vislumbrar uma pequena parte daquilo que eu desfrutava na totalidade.
Lembro-me do nosso primeiro beijo, como tremeste nervosa contra o meu corpo e como eu vibrei como cordas de um violino apaixonado numa orquestra desafinada. Tudo em ti era harmonia, o teu coração era um tambor descompassado e eu era um dançarino nos teus braços.
Escrevo-te esta carta apenas porque sim, hoje faz 3 anos que nos conhecemos e mesmo tendo-te aqui a meu lado enrolada nos lençóis acho que mereces cada palavra, não estamos distantes, mas sabes como gosto de te escrever, a ti e para ti, amo-te.

Um beijo, para recordar o primeiro de todos.

Bruno:Carvalho


Foto por João Bacalhau
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Modelo Flora Neves
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