quinta-feira, 30 de abril de 2015

IMORTALIDADE

De dentro para fora, de dentro para fora, assim ia e vinha o desejo, a imortalidade diluída na vida e essa mesma vida diluía-se no tempo.
A definição de imortalidade nunca tinha sido tão aplicável como naquele momento, as areias moviam-se dentro da ampulheta talhando o vidro com a sua indefinível assinatura.
Ergui o copo a contra-luz, aprecio muito esse momento, aquele em que luz se despenha no rubi do vinho, ergui-o várias vezes, como se a areia não se estivesse a escapulir na ampulheta, o tempo escasseava, mas aquele ritual era maior que o próprio tempo.
Levei o copo aos lábios e antes de beber enchi os pulmões com o aroma do vinho, momento maravilhoso quando todos aqueles aromas que o meu olfacto treinado havia aprendido a conhecer entraram pelas narinas indo alojar-se no cérebro, mais uma memória impressa, para momentos futuros, afinal de contas moro na imortalidade, aquilo que faço torna-se naquilo que sou.
Bebi o primeiro gole, deixei o vinho circular na boca, por debaixo da língua, entre os dentes, antes de o deixar escorrer devagar pela garganta, conseguia separar todos os sabores, naquele dia também consegui separar o teu, ele insinuava-se algures, meio tímido mas mesmo assim reconhecível.
Ergui o copo na tua direcção, um brinde à minha honra. Afinal de contas aquele era um momento único, uma passagem, uma passagem para um outro qualquer lado, tu sorriste, estavas a adorar, estavas a adorar cada gole que dava naquele vintage, e mostravas o teu contentamento com aquele sorriso cínico que só muito tarde conheci.
A areia essa ia esvaindo-se dentro da ampulheta, a areia tinha esse dom, não dava para contar segundos, não dava para ver o tempo como se ele fosse corpóreo, a areia caia grão a grão mas sem precisão, como não sabia quanto tempo me restava continuei a apreciar o meu ritual, aquele ia viria a ser conhecido finalmente.
Acabei de beber o último gole quando na minha quase inconsciência te notei aproximar, assim seria, um beijo novamente como sinal de traição, não poderia estar mais orgulhoso, ensinara-te bem, o aluno vence o mestre, é o epílogo perfeito para um qualquer filme noir.
Agora via um novo mundo abrir-se no meu mundo, sem hinos, louvores ou glórias, apenas com o bater de uma porta, um copo de cristal a despedaçar-se no chão e um veneno disfarço por um beijo a mergulhar no vinho ingerido.
Imortalidade?

Não há nada que veneno misturado com paixão não consiga destruir.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 29 de abril de 2015

SAY YOU WOULD BE MINE

Say you would be mine
Say that your light will shine
Upon me once more
And set aflame my core.

Because now I’m cold like this winter day
Oblivious and lonely, just fading away
In every hour dies one more piece of my soul
One more step and I know I’ll fall.

Just grab my hand and say you care
Say a word and rid me from this nightmare
Living day by day in agony
With the bitter taste of mortality.

Bruno:Carvalho


MUSIC FOR DEMISE...












REVOLUÇÃO SILENCIOSA

Absorvido no turbilhão de uma revolução silenciosa
Despojado na frieza de uma lápide pálida
Está uma inscrição antiga
Uma promessa de um coração abandonado.

Nas lajes húmidas desta noite de Outono
A sonhar com a esperança
A morrer por um amor perdido
Estou eu poeta ferido, esquecido na poeira.

Embriagado pelo vento agreste
Ouço vozes sumidas pela chuva
Corrompido pela solidão
Arrasto-me na turba de corpos inertes.

Vejo o dia a passar pela ponta dos dedos
Como relâmpagos surgem visões tuas
Memórias antigas despejadas dos meus olhos
Vivo no limiar do sonho, estou só e moribundo.

Malfadado coração, sangra no absurdo
Neste mundo estéril de sonhos
Esta terra amaldiçoada pela ignorância
No meio de tal escuridão uma réstia de uma luz.

Um pequeno sinal, um farol
O teu olhar sereno
A tua mão na minha
Tremo temeroso de ser só um sonho
Abandono-me a esta ilusão
Sem ter a certeza
Que um novo dia nascerá

Bruno:Carvalho



terça-feira, 28 de abril de 2015

O TEMPO DENTRO DO TEMPO

Existe uma definição de tempo concebida por nós, seres humanos, para dar um nome ao passar dos acontecimentos ao longo da nossa História e existe o tempo intemporal, o paradoxo, não somos um momento no tempo, somos todo o tempo.
Por vezes convencemos-nos na maioria das vezes porque parece bonito que existe um destino, um percurso que nos foi pré-destinado, isso retira-nos um pouco a responsabilidade de tomarmos certas decisões, desculpa-nos alguns erros, orienta-nos por caminhos que de outra forma mais racional não tomaríamos, tudo bem, todos precisamos de ilusão para viver...
A nossa vida não é um ser palpável e omnisciente, portanto nada de culpar "a vida" por estarmos naquela ou noutra situação, tudo é o resultado de mil e uma decisões que tomamos. Nada está sob controlo e a nossa maior ilusão é pensar que de facto temos controlo sobre o que se passa, é isso que nos leva ao estado de pânico e ansiedade social e pessoal...

No meio de mil e uma possibilidades no Universo, nós fomos os felizardos escolhidos para nos ser dado aquilo que chamamos vida. 
Tudo é belo, todos temos valor e todos temos o direito a ser felizes. Há quem demore mais a chegar lá, mas a alguma altura lá chegamos.
No fundo não vale a pena queremos muito uma coisa, quando o futuro e o passado são ilusões e tudo o que existe é o aqui e o agora.
De todas as emoções humanas que ao longo dos séculos nos foram transmitas o Amor é se calhar a maior delas, Amor que tudo repara, é a argamassa que permite que o mundo se mantenha uno, infelizmente esquecemos-nos disso.

Tanta metafísica apenas para dizer que neste momento estou no caos, no mar revolto, sei o que sinto, mas não sei porque o sinto, perdi-me no caminho, as linhas de energia emaranharam-se e são agora um novelo sem ponta à vista.

O que sinto define-me neste momento, por tudo de bom ou mau que isso traga.
Falta-nos a percepção que somos infinitos, embora a nossa mortalidade consciente seja breve...
De nada serve adiar o Amor quando somos maioritariamente feitos disso e de mais uns pozinhos mais ou menos mágicos.


(As palavras na música dizem o resto, para quem tiver a curiosidade de ver e ouvir)

Bruno:Carvalho
Abril 2015

segunda-feira, 27 de abril de 2015

EMPTY


All I have inside is this overwhelming sensation of emptiness.
All I'm made is void and despair
I wish this could end soon...

Is it anyone out there?
Cam you hear me crying, can you hear me dying?




BECKONING SILENCE

I woke up from a dream
Nothing makes sense, all seems the same
My footsteps lead me towards oblivion
But I’m lost, I still stand but I will fall

I walk a narrow path
Odd faces, mesmerized desires
The mirror brings back the truth
I hear crumbling leaves shattering the ground

And so I bear your wish to be free
And so I face death once more
Will you come?
Would you care this time?

A mournful silence embraces me
When I’m slowly torn apart
A dreamless frustration surrounds me
A mere significance for a senseless existence.

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 24 de abril de 2015

QUEM ME DERA...

Quem me dera poder ser o teu principe encantado no nosso interminável conto de fadas. Quem me dera poder ser mais do que sou, poder fazer-te acreditar que é possível fechar essa ferida profunda que há tanto tempo carregas. Quem me dera ser, não sou, temo que nunca serei...
Estou à entrada do teu coração, encontro-o porém de porta e janelas fechadas e eu cá fora irremediavelmente sem as chaves.
Quem me dera que a vida fosse um sonho com o nosso nele contido, não é sei-o bem, demasiado bem...
Quem me dera ser mais, pareço ser tão pouco, quem me dera poder esperar mesmo sabendo que apesar de esperar todo o tempo do mundo nunca te encontrarei...
Quem me dera ser o teu porto de abrigo, a voz que te canta, o anjo que os teus males espanta, não sou, temo que nunca o serei...
Quem me dera ser a esponja que absorve todo o teu cansaço, ser a chama que acende o teu olhar  e o beijo que sela os teus lábios. Quem me dera ser a mão que acaricia cada centímetro da tua pele, a ponte sobre o abismo que é a distância que nos separa.
Quem me dera ser teu, a tua parede que tudo suporta, o telhado que protege a tua existência.
Quem me dera poder ser isto tudo, não o sou, temo que jamais serei...
No entanto, sei o que sou, sou o escrivão da paixão que me consome, sou a chama da vela que acabará apagada num dia chuvoso, chuva que serão lágrimas como se o céu soubesse que todo o sonho, o nosso, podia ser realidade se o medo não o impedisse.
Quem me dera ser pó numa prateleira, cinza apagada numa fogueira, poeira varrida pelo vento, sem ti volta o desespero e a noite sem luar.
Quem me dera poder ser a tua fé inabalável, não sou, temo que nunca serei....
Tudo o que me resta é a tua imagem, a tua voz e a certeza férrea que te amo com todo o meu ser e imperfeição, com todas as minhas forças.
Que os raios de luz se façam reais e que façam valer a pena uma noite mal dormida...

Bruno:Carvalho

Abril 2015



quarta-feira, 22 de abril de 2015

DELEITE DA ALMA

Nos sonhos de uma quimera adormecida
O deleite da alma interrompido por um sorriso
Na candura de uma parede branca
Um sinal como testemunha de um tempo passado
Um abraço na flor da inocência
Um beijo reconfortante a um viajante cansado
Estar num momento de paz há muito esperado
Anseiar a companhia da sua amada
Mesmo que signifique um último adeus
Mesmo que o amanhã traga de novo a solidão
Para voltar a ser a única companhia.

De uma Fénix renascida, a serenidade
Cuspida, expulsa e vazia
Desterrada da companhia dos seus mitos
De uma irmandade fechada e obscura
De um círculo de escolhidos
Bafejados pela sorte da verdade
Um orgulho, um único orgulho,
Pertencer a um coração humano
Adormecer num seio reconfortante

Sonhar numa voz nunca ouvida
Feliz porque a sua alma 
Está longe de ser uma memória esquecida
E a noite é novamente feliz e calma.

Bruno:Carvalho

terça-feira, 21 de abril de 2015

A OUTRA METADE DE MIM

Como posso pensar em alguém mais senão em ti?
Como posso olhar outros olhos senão os teus?
Como posso fazer isso se apenas tu me preenches o pensamento? Em cada minuto, em cada segundo, em cada passo dado.
Como posso desejar outra mulher, quando é o teu corpo que ampara o meu, que preenche todos e cada um dos meus sonhos? Os nossos corpos entrelaçados, amarrados por sentimentos tão imensos que nenhuma palavra os consegue descrever.
Não, o que me perguntas é-me impossível sequer conceber. Estás em tudo o que faço, em tudo o que sou, em tudo o que escrevo, em tudo o que penso e sonho.
É impossível desenhar e justificar as minhas acções sem ti nelas contida, sem estares espelhada em todas elas. És como uma assinatura num poema, és cada verso e rima, és tu que me inspiras e me fazes arder num fogo etéreo sem chama mas com todo o calor do mundo.
Não, asseguro-te, é impossível olhar outros olhos, nenhuns outros têm a profundidade e serenidade necessárias para abarcar todo o sentimento que em mim explode. Nenhuns outros têm as respostas às perguntas que foram ficando no ar ao longo da minha vida.
É-me impossível imaginar outro corpo junto ao meu, nos nossos lençóis de cetim, feitos palco de paixão e impossibilidade, é impossível ter outros lábios nos meus sorvendo toda a minha essência.
És a minha metade há muito perdida e finalmente encontrada, és minha e eu sou teu, somos um...
Sim, é impossível imaginar outros braços em torno de mim que não os teus, impossível ter outra mão que seque as minhas lágrimas, impossível outra voz que me sussurre baixinho e me faça levantar após cada queda.
Sim, é impossível olhar outros olhos, ficaria perdido e há tão pouco tempo me voltei a encontrar.

Bruno:Carvalho
Abril 2015

domingo, 19 de abril de 2015

YOUR EYES

MEIA-LUZ

Aqui sentado a ver-te dormir, à meia luz desta manhã, perco-me na imensidão do pensamento, como conter tudo o que sinto, como abarcar tudo o que quero e não posso ter...
Abraço-me, um frio estranho estremece-me, apesar do sol primaveril... Fecho os olhos, em sonhos nunca te perco de vista e tenho-te sempre perto...
Sei que é momento de partir, levanto-me tipo sonâmbulo, embriagado por um sentimento que sei ser maior que tudo que alguma vez senti.
Dou-te um beijo na testa, sorris no teu sono tão pacífico, estás longe no teu próprio sonho, não consigo conter uma lágrima, mas no fundo sorrio também contigo.
Guardo como uma marca feita de fogo no meu coração, o teu olhar feito de verde maresia, o teu beijo feito de petálas de rosa, o teu cheiro feito de incenso...
Até logo meu amor, até ao nosso reencontro, num novo sonho, numa nova noite inundada de luar, preenchida por fios de luz de uma intensidade imortal.
A saudade não vencerá, o desânimo não me levará de novo, sou teu, alma e carne, sangue e emoção...


Bruno:Carvalho
Abril 2015



sexta-feira, 17 de abril de 2015

SHINE

Shine and fly free throught the sky, for the sun shall rise again and this is just a moment in time.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

UNREAL

Ninguém nunca irá compreender, um sonho só meu e teu, um mundo só meu e teu e a paz de saber que ninguém mais irá entender porque sorrimos tanto....






FINA FLOR

És fina flor de uma manhã primaveril
Adoro quando o vento arrasta o teu cabelo
Quando o sol passa nas curvas do teu corpo
As palavras morrem-me na garganta
Não por as não poder dizer
Mas porque nenhuma te conseguirá alguma vez descrever.

Mergulho no teu olhar como se da minha salvação dependesse
As tuas palavras, são como água fresca para o meu corpo cansado
És o bálsamo que apaga qualquer cicatriz
Sonho contigo, sonho por ti
És a luz que penetrou a minha escuridão
A esperança perene de acreditar que o amor é possível.

Todos os dias agradeço o novo dia
Pois com cada amanhecer fico um dia mais próximo
Até que o dia que possa finalmente pousar a cabeça no teu regaço
E adormecer feliz na paz que o teu corpo promete
Sou sonhador, poeta vagabundo que achou a sua musa
A rosa vermelha de paixão que floresce de novo no meu coração.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 15 de abril de 2015

ALÉM DA ETERNIDADE

Sentámos-nos numa pedra à beira da Lagoa Azul, uma brisa de verão soprava ligeira sobre a sua superfície, tu estavas vestida de sol eu vestido de sonho.
Vimos os cisnes bonitos a velejarem sob a água, tão graciosos como bailarinos numa noite de bailado, pairavam por aí como se de um palco se tratasse.
A vida é bela e nem ao destino lhe é permitido estragar o seu sublime curso. Ficámos ali, em silêncio, numa conversa que prescindia de palavras, eu mergulhava nos teus olhos castanhos claros, cristalinos como a própria água, tu sorrias confiante da minha perfeita imperfeição.

A tua voz, acordou-me do sonho, do momento mágico, do espectáculo magnífico que sobre tão tenro olhar se desenrolava.

"Dás-me um beijo?" - disseste, acordando cada poro da minha pele, cada gota de sangue das minhas veias, cada recanto adormecido da minha alma.

Sorri, só podia sorrir...
"Não" respondi. A surpresa passou pelos teus olhos de azeitona e maresia...
"Porque não?"
Expliquei o mais apaixonada e sinceramente que podia.
"Porque estragaria para sempre o melhor momento da minha vida"
"E que momento será esse?" retorquíste muito séria.
"O momento que com esse beijo selarei a nossa eternidade"...
O sol escondia-se por detrás do monte quando deixámos os cisnes entregues ao seu bailado e de mãos dadas caminhámos rumo ao nosso firmamento, tão naturalmente na nossa inocência, tão confiantemente na nossa certeza que as coisas tomariam o seu rumo normal.

Bruno:Carvalho
Abril 2015


domingo, 12 de abril de 2015

POR ESSAS ESCURIDÕES ADENTRO

Vi-me por essas escuridões adentro
Sem guia que se possa chamar de luz
Sem luz que se possa tornar companhia

Passei o rio sem saber como se torna sombra
Sem querer tornar-me parte da torrente
E a torrente me engolir como um qualquer esquecimento

Passei a seara, pela ceifeira, pelo trigo e pelo joio
Como se lavrador, moleiro ou moinho
Soubessem que estavam a fazer mais que farinha

Sonhei-me por essas escuridões adentro
Vislumbrei gigantes e sentei-me nos seus ombros
Vi que acima das águas escuras
Não passamos de pó, carcaças vazias
Sopradas para uma escuridão maior.

Bruno:Carvalho



RELEASE ME... FROM EVERYTHING....

sábado, 11 de abril de 2015

FINALMENTE O SILÊNCIO...

Na maioria das vezes não há palavras que possam quebrar o maior dos corajosos silêncios...
Remeto-me portanto a ele, ao silêncio, por ti, por nós...

Universalmente estamos nós perdidos quando nenhuma razão justifica o coração...

Bruno:Carvalho
Abril 2015



JURO

Juro que tento preencher com mil e uma coisas o pensamento, para te tirar do mesmo. Juro que faço mil por uma linha para isso, no entanto juro também que o falho miseravelmente…
Estou perdido, confesso-o, não sei o que sinto, mas sei que é bom, não consigo explicar o porquê de ainda o sentir após tanto tempo, és uma voz, um rosto, uma estrela no céu nocturno, não te conheço, mas sinto-te, sinto-te como se o tivesse feito toda a minha vida.
Não sei que cruel partida me tentou pregar o destino, se é que esse tão falado conceito existe. 
Por duas vezes encontrei nas linhas de energia do Universo a tua assinatura inconfundível, por duas vezes me perdi e agora não sei mais onde me encontrar.
A minha fé é inabalável quanto ao crer que cada decisão que tomamos se transforma numa consequência na linha da vida, mas porque é que não consigo entender o seu significado? Porque tomar aquele caminho e não outro? Porque dizer ou escrever aquilo e não me conter no silêncio?
Juro que tento ser o mais sensato possível e viver o dia, porque o presente é tudo o que existe, porque não me quero perder na falácia de um futuro que nunca irá acontecer.
A minha imaginação trai-me, confesso-te isso também, vivo aqui entre o sonho e a realidade numa luta sem tréguas, sem fim à vista, sem sinal de paz na forma de um sentimento... Amor.
Trai-me também a paixão, a ânsia de te querer, de te poder conter no espaço tão exíguo que é a minha existência.
Juro que tento, meu amor, esquecer-te, enganado pelo tempo sigo iludido por ele, que me faz viver esperançoso que é possível esquecer.
Tento adormecer, mas não quero adormecer, ou pelo menos não quero sonhar, não mais, prefiro noites dormidas e esquecidas no dia seguinte.
Juro que tentarei, mas sei que será apenas mais uma promessa quebrada…

Bruno:Carvalho
Abril 2015



quinta-feira, 9 de abril de 2015

SILÊNCIO DA SAUDADE

O silêncio não tem nome, nem cheiro, nem face, tem significado, mas nunca o entendemos, não por sermos ignorantes, mas porque o tentamos entender da forma errada.
A noite tem nome, o teu nome. A noite tem carisma, doçura, amor, dor, sentido e significado.
O silêncio complementa a noite como o teu olhar complementa o meu, de forma perfeita. Uma pintura dispersa numa tela de puro branco.

Não há sentido maior de um silêncio como aquele de um homem que espera a morte, nesse estão contidos todos os outros silêncios. Como palavras não fossem necessárias para se fazerem despedidas ou rezar alegorias.
A saudade tem tudo, contém a noite e o silêncio e adiciona-lhe a esperança, adiciona-lhe o teu cheiro, o teu corpo a tua essência.
Vivo a saudade na noite e num silêncio profundo.

Bruno:Carvalho
Abril 2015



terça-feira, 7 de abril de 2015

FIOS DE LUZ


Hoje acordei decidido a viver o meu sonho. 
Por isso fechei a janela e não te deixei partir, mantive-te aqui, perto de mim, junto ao coração, no centro da emoção. Tu que és feita de noite, de lua, estrelas, tu que és um milhão de fios de luz na minha escuridão cerrada.
Sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que te deixar voar, que vou ter que encarar a realidade e deixar os sonhos na noite. 
No entanto permitam-me que me delicie com esta sensação de imortalidade, apenas por um dia, este dia, que te tenha em mim, tu que és feita de inspiração de poetas, de contadores de histórias, de epopeias de principes e princesas, de amores impossíveis e histórias de vida.
Permitam-me que sonhe mesmo acordado, porque me sinto abençoado, um dos escolhidos, um dos que encontrou a sua musa, a única, duas vezes numa vida...
Sei que esta noite adormecerei, continuarás comigo, mas um novo sol nascerá por trás do monte e aí terei de te deixar partir, rumo ao sol poente, rumo a casa e ao teu próprio sonho. 
Deixem que continue tolo por mais um dia, pois de todos os tolos aquele que sonha o impossível acabará inevitavelmente por ser feliz.
Hoje sonho o que nunca esqueci, o que perdi e achei de novo, hoje anseio ser uma irrealidade, uma impossibilidade, um suspiro, um beijo nos teus lábios.
A noite chega célere, sei-o no meu corpo, no meu coração renitente a deixar-te ir, mas devo-te isso, a liberdade de poderes voar em toda a tua glória, em toda a tua beleza.
Estáss à distância de um olhar, de um murmúrio, de um desejo.
És cais seguro no meu mar revolto e sei que no fim sempre te terei nos meus sonhos.
Caminhas segura ao meu lado, em todo o meu ser e arredores.
Hoje acordei decidido a ter-te mesmo nunca te tendo. 
Olharei sempre as estrelas, vê-las-ei sempre na noite mais escura, no céu mais enevoado, é uma segunda chance de viver, mesmo que tudo o que deseje não passe disso mesmo, um desejo num castelo feito de nuvens brancas.

Bruno:Carvalho
Abril 2015


EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...