A OUTRA METADE DE MIM

Como posso pensar em alguém mais senão em ti?
Como posso olhar outros olhos senão os teus?
Como posso fazer isso se apenas tu me preenches o pensamento? Em cada minuto, em cada segundo, em cada passo dado.
Como posso desejar outra mulher, quando é o teu corpo que ampara o meu, que preenche todos e cada um dos meus sonhos? Os nossos corpos entrelaçados, amarrados por sentimentos tão imensos que nenhuma palavra os consegue descrever.
Não, o que me perguntas é-me impossível sequer conceber. Estás em tudo o que faço, em tudo o que sou, em tudo o que escrevo, em tudo o que penso e sonho.
É impossível desenhar e justificar as minhas acções sem ti nelas contida, sem estares espelhada em todas elas. És como uma assinatura num poema, és cada verso e rima, és tu que me inspiras e me fazes arder num fogo etéreo sem chama mas com todo o calor do mundo.
Não, asseguro-te, é impossível olhar outros olhos, nenhuns outros têm a profundidade e serenidade necessárias para abarcar todo o sentimento que em mim explode. Nenhuns outros têm as respostas às perguntas que foram ficando no ar ao longo da minha vida.
É-me impossível imaginar outro corpo junto ao meu, nos nossos lençóis de cetim, feitos palco de paixão e impossibilidade, é impossível ter outros lábios nos meus sorvendo toda a minha essência.
És a minha metade há muito perdida e finalmente encontrada, és minha e eu sou teu, somos um...
Sim, é impossível imaginar outros braços em torno de mim que não os teus, impossível ter outra mão que seque as minhas lágrimas, impossível outra voz que me sussurre baixinho e me faça levantar após cada queda.
Sim, é impossível olhar outros olhos, ficaria perdido e há tão pouco tempo me voltei a encontrar.

Bruno:Carvalho
Abril 2015

Comentários

Mensagens populares deste blogue

RE(CANTOS)

A QUEDA