sexta-feira, 24 de abril de 2015

QUEM ME DERA...

Quem me dera poder ser o teu principe encantado no nosso interminável conto de fadas. Quem me dera poder ser mais do que sou, poder fazer-te acreditar que é possível fechar essa ferida profunda que há tanto tempo carregas. Quem me dera ser, não sou, temo que nunca serei...
Estou à entrada do teu coração, encontro-o porém de porta e janelas fechadas e eu cá fora irremediavelmente sem as chaves.
Quem me dera que a vida fosse um sonho com o nosso nele contido, não é sei-o bem, demasiado bem...
Quem me dera ser mais, pareço ser tão pouco, quem me dera poder esperar mesmo sabendo que apesar de esperar todo o tempo do mundo nunca te encontrarei...
Quem me dera ser o teu porto de abrigo, a voz que te canta, o anjo que os teus males espanta, não sou, temo que nunca o serei...
Quem me dera ser a esponja que absorve todo o teu cansaço, ser a chama que acende o teu olhar  e o beijo que sela os teus lábios. Quem me dera ser a mão que acaricia cada centímetro da tua pele, a ponte sobre o abismo que é a distância que nos separa.
Quem me dera ser teu, a tua parede que tudo suporta, o telhado que protege a tua existência.
Quem me dera poder ser isto tudo, não o sou, temo que jamais serei...
No entanto, sei o que sou, sou o escrivão da paixão que me consome, sou a chama da vela que acabará apagada num dia chuvoso, chuva que serão lágrimas como se o céu soubesse que todo o sonho, o nosso, podia ser realidade se o medo não o impedisse.
Quem me dera ser pó numa prateleira, cinza apagada numa fogueira, poeira varrida pelo vento, sem ti volta o desespero e a noite sem luar.
Quem me dera poder ser a tua fé inabalável, não sou, temo que nunca serei....
Tudo o que me resta é a tua imagem, a tua voz e a certeza férrea que te amo com todo o meu ser e imperfeição, com todas as minhas forças.
Que os raios de luz se façam reais e que façam valer a pena uma noite mal dormida...

Bruno:Carvalho

Abril 2015



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