REI DO NADA

Sou rei dos impossíveis, das meias verdades, das obscuridades, da falta de esperança e do medo. 
Sou a imagem sem reflexo no espelho, a paz descarnada, o caos dentro da tempestade.
Sou quem pensar ver tudo, mas de todos o mais cego, sou o mendigo das portas fechadas, o salteador das janelas partidas.
Sou o declamador voraz de despedidas ausentes, acenos de adeus perdidos ao fim da tarde, sou o eclipse, aquele que no sol vê apenas escuridão.
Sou a inconsequência, o desterro e a desesperança. 
Sou o espantalho esquecido no meio da seara, a neve fria de um Inverno eterno...
Sou a probabilidade certa de nada acontecer, sou vazio, todo o nada reunido num coração apenas, rasgado e gelado.
Sou a perenidade da dor e a descrença do amor, a serpente que trouxe a tentação, o rei da perdição.
Sou o rancor, a raiva o ódio e a certeza da perdição, sou a luxuria dos dias inacabados, o poeta, o pintor e o pêndulo.
Sou a vida disfarçada de morte...
Sou tudo isto mas bem no fundo nada sou.

Bruno:Carvalho
Maio de 2015


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