sexta-feira, 19 de junho de 2015

SOMOS...

Somos feitos da matéria das estrelas, preenchidos por demasiadas ausências, numa procura infinita pela luz no fim do mundo, o nosso mundo, povoado por fantasias e sonhos inalcançados.
Somos poeira, somos escuridão quando a noite não é meiga para nós e o luar beija a nossa pele como lâminas afiadas, ficam as feridas e as cicatrizes de desejos moribundos, feitos abstractos e escritos esquecidos...
Somos vazio quando tendemos a esquecer da glória que outrora fomos feitos, quando caímos num torpor desesperado que não nos deixa levantar voo de novo.
O sol faz-se lua nova e tudo de obscuridade se disfarça, quando por detrás da máscara sorrimos de escárnio perante o nosso próprio reflexo, e quando vida teima abandonar o nosso olhar, caímos nos braços de um ódio que nos consome, fazendo-nos esquecer que somos, no nosso intimo, feitos de amor.
Somos farrapos de neve moribundos à deriva no furioso vento de Inverno, no olho da tempestade, na periferia da realidade alternativa que tanto buscamos, na incessante procura pelo significado de uma existência que é apenas isso, não é vida, não é plenitude nem realização.
A tempestade aproxima-se e a esperança de luz definha por entre as nuvens cinzentas, mais uma vez fugimos como escravos com medo da fúria do mestre, inconscientes que somos nós próprios o tão aterrador mestre.

Bruno:Carvalho
Junho 2015

segunda-feira, 15 de junho de 2015

GHOST WHISPER

Just a shameless lie
You left me to die alone
Now I lurk in the shadows
In the bleakness of this illusion

A brave murder they tell
A lonesome victory of the fallen
Do you feel me whispering at your side?
A sweet phantom eyes veiling your sleep

And so I mourn, defeated
A lament echoes in this vile silence
It’s still life calling my name
It’s still love mourning in my grave

And so I feed of darkness and solitude
Hear my chant, can you hear it now?
As the wind blows the healing sounds of the morning
I dive deeper down in the funeral ground

Bruno:Carvalho

MY DREAMS

Is this the emptiness they told me about?
Did darkness came to caress me?
For many years I fought
When light was only a sense of existence

Have you returned to destroy me?
Didn’t I bravely took your hand
When mist tried to embrace you?
So why this meaningless acts of disturbance?

Didn’t I forsaken you in my deepest memories?
I tore my beliefs to understand your meaning
Didn’t my nights turned empty shells of regret?
My tears froze in the vast of your creation

My dreams, why did they returned?
A premonition left astray in the mirage of time
Have you came to inflict me pain?
It’s pain that feeds me, it’s death I dream.

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 5 de junho de 2015

A LÁGRIMA ESCONDIDA

A corrente vazia
A fome perene que parece explodir-me por dentro
A solidão, o reflexo que não quero ser
Fico amarrado ao desconforto, à ânsia de querer ser pó
Invisível, derramado no vento, deposto do trono
Cai a minha máscara, rompe-se o silêncio moribundo

A lágrima escondida
A desolação amarelecida das minhas memórias
Desejos perdidos, sentimentos olvidados numa realidade abstracta
Perdi-me na frieza da noite
À espera de ver-te no nascer da alvorada
Plena de emoção, a tua beleza espalhada pelo meu acordar

A verdade ferida
Vejo os sonhos fugirem com os olhares vazios
Fantasmas esguios, sombras que me arrancam a serenidade
Tenho que ir, é só minha a culpa
O desejo, o amor, o prazer, o desejo
De te querer, de te consumir para além de qualquer dúbia razão.

Bruno:Carvalho

terça-feira, 2 de junho de 2015

Urgentemente

É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor, 
É urgente permanecer


Eugénio de Andrade


EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...