SOMOS...

Somos feitos da matéria das estrelas, preenchidos por demasiadas ausências, numa procura infinita pela luz no fim do mundo, o nosso mundo, povoado por fantasias e sonhos inalcançados.
Somos poeira, somos escuridão quando a noite não é meiga para nós e o luar beija a nossa pele como lâminas afiadas, ficam as feridas e as cicatrizes de desejos moribundos, feitos abstractos e escritos esquecidos...
Somos vazio quando tendemos a esquecer da glória que outrora fomos feitos, quando caímos num torpor desesperado que não nos deixa levantar voo de novo.
O sol faz-se lua nova e tudo de obscuridade se disfarça, quando por detrás da máscara sorrimos de escárnio perante o nosso próprio reflexo, e quando vida teima abandonar o nosso olhar, caímos nos braços de um ódio que nos consome, fazendo-nos esquecer que somos, no nosso intimo, feitos de amor.
Somos farrapos de neve moribundos à deriva no furioso vento de Inverno, no olho da tempestade, na periferia da realidade alternativa que tanto buscamos, na incessante procura pelo significado de uma existência que é apenas isso, não é vida, não é plenitude nem realização.
A tempestade aproxima-se e a esperança de luz definha por entre as nuvens cinzentas, mais uma vez fugimos como escravos com medo da fúria do mestre, inconscientes que somos nós próprios o tão aterrador mestre.

Bruno:Carvalho
Junho 2015

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