A ÚLTIMA DERROTA

Quando somos derrotados pelos acontecimentos que moldam a nossa vida o melhor a fazer é calar e engolir a dor que nos abala como um terramoto abana a terra que pisamos.

È mais fácil desse modo, seria ainda mais fácil substituir o amor por ódio e virar a cara para não fitarmos a desolação que nos rodeia, mas de fracos não reza a história por isso calemos e abracemos a dor, levando cada dia como se fosse o último, resistindo estoicamente ao impulso de verbalizarmos o que tanto dói.

Abracemos também o silêncio e a solidão, pois parece que são as coisas que mais certas temos nesta vida.


É pena que aquilo que nos torna tão singularmente especiais, além das outras criaturas, não nos prepare para o impacto de certos sentimentos na nossa vida, sendo que a perda e o amor serão talvez os mais complicados de lidar, e quando se conjugam podem ser devastadores.

Mas o que nos impele a continuar a andar e a lutar? O que nos faz lutar por impossíveis e sonhar com um dia melhor no dia seguinte? Depois de mais uma noite de gritos abafados e lágrimas engolidas, amarrados à segurança de uma almofada do lado vazio e frio da nossa cama...


Cada um terá em si a resposta, sendo que a minha a mim me pertence e ficará para sempre nesse silêncio auto-imposto, na regra de calarmos o que nos vai na alma...

O sentimento de não pertencer a um sitio e no fundo estar para sempre preso a ele é bastante desolador...
É o que tenho a dizer hoje, num dia que a dor se tornou tão forte quem nem as palavras fazem sentido...

Bruno:Carvalho
Agosto 2015

Comentários

Mensagens populares deste blogue

RE(CANTOS)

A QUEDA