quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Untitled

Dai-me um dia branco, um mar de beladona 
Um movimento 
Inteiro, unido, adormecido 
Como um só momento.

Eu quero caminhar como quem dorme 
Entre países sem nome que flutuam.

Imagens tão mudas 
Que ao olhá-las me pareça 
Que fechei os olhos.

Um dia em que se possa não saber.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN
In Coral, 1950


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O VAZIO DO SILÊNCIO

Parece que me escrevi como se escreve, como se o vento outonal me tivesse varrido os pensamentos e me tivesse apenas deixado desertos estéreis e nus de sentimentos.
As palavras parecem que já não pulsam nas minhas veias, como sangue que procura nova vida, no amor, novas histórias de ilusória felicidade e fantasia.
Fico aqui horas a fixar ardemente o papel branco como se por milagre as palavras se escrevessem e se traduzissem no que facto sinto e quero dizer...
Dizem que me falta a inspiração, embora no meu âmago me parecer que falta muito mais que isso, é como se uma parte de mim se tivesse desprendido do resto, como a alma que se separa do corpo no momento do último suspiro...
Virão de novo as palavras? Virão de novo como as novas folhas na primavera depois de um longo inverno?
É apenas mais uma resposta entre muitas às quais não tenho resposta.
Tudo o que sinto, tudo o que sou, resume-se apenas a silêncio e olhares distantes para lugares nenhuns...
Todos os dias exactamente iguais, todas as sombras exactamente iguais, todos os fantasmas e demónios de novo nos meus sonhos... E pelo que espero eu?
Talvez espere por me encontrar de novo pois estou certo que me perdi algures no tempo, no meu passado que não pode voltar a ser presente...

Bruno:Carvalho
Outubro 2015

EXORCISMO

Exorciza os demónios da minha alma Os fantasmas inumanos que consomem a minha carne Liberta-me, perdoa-me. Exorciza o meu corpo com...