segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O VAZIO DO SILÊNCIO

Parece que me escrevi como se escreve, como se o vento outonal me tivesse varrido os pensamentos e me tivesse apenas deixado desertos estéreis e nus de sentimentos.
As palavras parecem que já não pulsam nas minhas veias, como sangue que procura nova vida, no amor, novas histórias de ilusória felicidade e fantasia.
Fico aqui horas a fixar ardemente o papel branco como se por milagre as palavras se escrevessem e se traduzissem no que facto sinto e quero dizer...
Dizem que me falta a inspiração, embora no meu âmago me parecer que falta muito mais que isso, é como se uma parte de mim se tivesse desprendido do resto, como a alma que se separa do corpo no momento do último suspiro...
Virão de novo as palavras? Virão de novo como as novas folhas na primavera depois de um longo inverno?
É apenas mais uma resposta entre muitas às quais não tenho resposta.
Tudo o que sinto, tudo o que sou, resume-se apenas a silêncio e olhares distantes para lugares nenhuns...
Todos os dias exactamente iguais, todas as sombras exactamente iguais, todos os fantasmas e demónios de novo nos meus sonhos... E pelo que espero eu?
Talvez espere por me encontrar de novo pois estou certo que me perdi algures no tempo, no meu passado que não pode voltar a ser presente...

Bruno:Carvalho
Outubro 2015

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