TANTO E TÃO POUCO

O momento que se faz tempo infinito, deixa-nos esgotados, cansados... Como se as feridas curadas rompessem de novo em carne viva.
Deixamos-nos desgarrados, órfãos de vontade própria, o tempo faz momento infinito e nunca é tarde demais para se ser eterno.
Tudo tão confuso, tão fora de nada, como se quisessemos ser mais e nunca o podermos ser, como quisessemos ter tudo mas nada em nós cabe, ficamos assim ligeiros, vazios por um lado cheios por outro, sem meio termo.
Uma meia-luz no entanto se acende de tempos a tempos, novo ano, feridas antigas, novos dias iguais aos tão velhos perdidos nos anais do tempo.
Queremos ser tudo para alguém sem sermos nada para nós próprios, tanto sonho varrido pelo vento infernal da impossibilidade.
E depois? 
Depois morremos e deixamos para trás a casca vazia que a terra há-de consumir...
Somos tanto num momento mas tão pouco numa eternidade.

Bruno:Carvalho
2016

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