quarta-feira, 15 de junho de 2016

A QUEDA

Levaste-me ao céu e deixaste-me por lá, perdido, vagueando entre o limiar do sonho e o abismo da realidade, entre o véu do tempo e crueza do espaço.
Fiquei embriagado pela visão das constelações, das galáxias e eternamente encantado pelos buracos negros que me atraiam aos poucos.
Por momentos perdi noção de mim, apercebi-me a tempo dos poucos pedaços da minha alma que se libertavam em direcção ao vazio...
Forcei-me a cair, a despenhar-me na terra, a meio caminho do inferno e da perdição eterna.
Agora arrasto-me aqui, sempre com o horizonte à vista e a linha da costa por trás, naveguando, à deriva, sem destino... 
Com a maresia embalo-me nas minhas paisagens interiores com medo de sair cá para fora, acomodo-me ao canto mais escuro da minha alma, com a esperança que um dia a luz me alcance.

Nada faço para forçar que ela entre, espero um milagre e assim a eternidade tarda a chegar e a noite escura envolve-me no seu doce abraço.
Das nuvens à terra, caído e desterrado como um nefilim banido do paraíso...


Bruno:Carvalho
2016

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