quarta-feira, 28 de março de 2018

FIOS DE LUZ

Hoje acordei decidido a viver o meu sonho. 
Por isso fechei a janela e não te deixei partir, mantive-te aqui, perto de mim, junto ao coração, no centro da emoção. Tu que és feita de noite, de lua, estrelas, tu que és um milhão de fios de luz na minha escuridão cerrada.
Sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que te deixar voar, que vou ter que encarar a realidade e deixar os sonhos na noite. 

No entanto permitam-me que me delicie com esta sensação de imortalidade, apenas por um dia, este dia, que te tenha em mim, tu que és feita de inspiração de poetas, de contadores de histórias, de epopeias de príncipes e princesas, de amores impossíveis e histórias de vida.

Permitam-me que sonhe mesmo acordado, porque me sinto abençoado, um dos escolhidos, um dos que encontrou a sua musa, a única, duas vezes numa vida...
Sei que esta noite adormecerei, continuarás comigo, mas um novo sol nascerá por trás do monte e aí terei de te deixar partir, rumo ao sol poente, rumo a casa e ao teu próprio sonho. 
Deixem que continue tolo por mais um dia, pois de todos os tolos aquele que sonha o impossível acabará inevitavelmente por ser feliz.
Hoje sonho o que nunca esqueci, o que perdi e achei de novo, hoje anseio ser uma irrealidade, uma impossibilidade, um suspiro, um beijo nos teus lábios.
A noite chega célere, sei-o no meu corpo, no meu coração renitente a deixar-te ir, mas devo-te isso, a liberdade de poderes voar em toda a tua glória, em toda a tua beleza.
Estás à distância de um olhar, de um murmúrio, de um desejo.
És cais seguro no meu mar revolto e sei que no fim sempre te terei nos meus sonhos.
Caminhas segura ao meu lado, em todo o meu ser e arredores.
Hoje acordei decidido a ter-te mesmo nunca te tendo. 
Olharei sempre as estrelas, vê-las-ei sempre na noite mais escura, no céu mais enevoado, é uma segunda chance de viver, mesmo que tudo o que deseje não passe disso mesmo, um desejo num castelo feito de nuvens brancas.

Bruno:Carvalho



sexta-feira, 9 de março de 2018

NOCTURNO

Apartemo-nos, pois não andamos mais que a fingir passos em frente, olhando de lado em espelhos baços, apartemo-nos pois aqui não mora o desassossego.
Desconjuntara-me, necessito de fontes mais precisas de prazer, a languidez do teu corpo já não oferece o tal abrigo merecido. Deixa-me. Prescindo do teu brilhante intelecto para me dedicar ao estudo das coisas mundanas.
Fingimento. É este o constrangimento que me faz neste momento avançar para a dissolução. Prefiro dissolver-nos do que ver-me diluído na pasmaceira dos dias. Não sou poeta, não faço rimas, não ouço a lua, faço da noite apenas uma passagem, como se fosse um túnel para reencontrar de novo o sol.
Fazes-me lembrar a noite, por isso desdenho continuar a alimentar a tua deslumbrante beleza lunar.
Passo a vida embriagado por palavras. Perdido no emaranhado de abraços em que me teimas prender. Quero ser livre. Quero ser Ícaro e se necessário voar direito ao sol. Se for esse o preço, fá-lo-ei. Não duvides! A minha existência já meio amadurecida está para além de quaisquer dúvidas ou incertezas.
Ris-te.
Eu sei que te ris aí ao fundo no escuro, no teu nicho de prazer, brincas neste momento com as tuas mãos, sinto-o.
Riste porque sabes o destino de Ícaro. Riste porque a noite volta sempre. E eu como a maré, volto ao mar, ao teu mar.
Sorris pacientemente porque sabes que volto. Permites-me estes assomos de rebeldia, jogas com tudo isto para aumentares o teu jogo de prazer, sei-o bem, demasiado bem para a minha própria sanidade.
Tens razão.
Sempre a maldita razão, volto ao teu conforto lunar, à tua poesia erótica, ao teu romantismo obscuro. Volto porque sei-me feito da mesma massa embora iludido que poderia ser de outra, mais solar, mais brilhante.
Não nos apartemos mais então, que termine esta farsa. Entrega-me o teu corpo para dele fazer vaso da minha paixão. Isso. Liberta-me dos sonhos pois deles não preciso. Liberta-me da ilusão pois ela sempre me traiu.
Sim, é o teu corpo que desejo, os teus braços lunares e os teus olhos de inocência.
Julgava eu não ter em mim a poesia, a rima certa que compõe o soneto, enganado de novo pelo sufoco de querer ser diferente.
Amordaça-me com o teu fogo, prende-me aos grilhões e dá-me prazer, lê-me Sade pois a noite é ainda apenas uma criança inocente.
Continuamos a olhar de lado em espelhos baços certos que deles nada vislumbramos. É melhor assim, dar passos falsos em frente do que morrer parado entre a noite e a madrugada.


Bruno:Carvalho



sábado, 3 de março de 2018

EM TI

Em ti, por ti, para ti.
Em ti tenho todos, os sonhos todos os desejos, toda a vontade de viver. Em ti sou em próprio, sem máscaras, sem disfarces inúteis.
Por ti quero se melhor, mais feliz, mais calmo, mais humano.
Para ti estas palavras, insuficientes para dizer tudo o que sinto.
Um sonho distante, um sonho mal dormido, uma manhã de cama vazia, o infinito disfarçado no teu sorriso. 

Bruno:Carvalho


quinta-feira, 1 de março de 2018

BLEEDING OUT

As noites tornam-se dias e as noites dias...
A minha vida num flash, numa noite mal dormida.... As vozes, não, a minha única voz a perguntar-me se vale a pena viver...
Estou assim. longe da realidade, entre um amor passado e dúvida de um presente...
Estou a morrer sem coragem de parar a linha do tempo,  vou morrendo sem acreditar que se possa viver de todo...
Que os meus fantasmas passados me consumam de vez!
Estou aqui à espera....

Bruno:Carvalho

A BELEZA DO FIM

                               ”A beleza existe onde menos se espera”.         Abri a porta do quarto movido por uma esperança e fui ...