terça-feira, 20 de novembro de 2018

MARILYN

MARILYN

Walking through, slipping through
Crumbling along the ember valley
It was I drifting among the sorrows
Avoiding the swords and arrows
In the heat of the battle, a memory
Of your face, the strength for victory.

Within the woods where lost souls hide
I was walking with solitude by my side
With the company of elves, I followed the chants
The hymns of glory that I cherish so much
Aside me the willows whisper your name
In my inner self I buried the blame.

At the gates of the citadel I saw you in white
Waiting for a glimpse of hope and light
Your eyes your beautiful eyes made me cry
Tears of love that I can’t longer hide
It was a winter far from warm far from home
Fighting for the truth, sleeping alone.

Now I can hold you again in my arms
I can feel once more the sweetness of your kiss
Your snow white skin, the delight of a king
Your hair like fire flirting before my eyes
The fear I felt vanished in time, at last
Everyday I’ve prayed to see you fast.

In the velvet sheets we laid our passion
My hand in your hand, entwined as one
The spirits of the night keeping us safe
In that night I loved you like the first time
In a mystic way that didn’t know possible
Tired a blissfully we fall in the arms of sleep.

 I woke up gazed by the sun in my eyes
The smell of blood entering my lungs
Above my head a black crow staring at me
Aside me the smell of death making me sick
It was a dream yet felt so real and calm
I took my sword and followed my path.

I always knew that this was my last battle
A war for sanity that from where I couldn’t return
Forsaken and lost I wander without rest
In the arms of Marilyn I left all my hope
Now my destiny lays in the edge of a rope
I feel the hands of death touching my skin
The bitter taste of a sharp blade in my heart
The peaceful chants of angels in my soul

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

SILÊNCIOS

O som do silêncio é uma bênção, quando te acobardas perante uma verdade absoluta. Quando contornas uma situação ignorando o facto que estás metida nela até ao pescoço.
Um mecanismo de autodefesa porque é demasiado difícil enfrentar a constatação que de nada és inocente e que é muito mais fácil olhar para o lado e para segurança ao invés de encarares o abismo.
Continuas a fingir que não é nada contigo, quando os pesadelos há semanas não te deixam dormir...

Cobres-te de um manto de inocência, de olhos fechados vendo o mundo desmoronar-se... Muito mais fácil esquecer do que lembrar que de facto sentes algo.

Mesmo que esse algo, seja indiferença, culpa ou raiva.

Custa-te assimilar o peso de cada palavra, como cada um pesasse uma tonelada, custa-te andar, sabes bem o porquê mas continuas de tornozelos sangrentos arrastando o peso morto do teu corpo desfeito.
Difícil perder o halo de pureza quando de manhã olhando o espelho já não te reconheces, sorris, mas nada dele transpira alegria.

E enterras as memórias como se de memórias se tratassem, quando no fundo são feridas frescas recentemente abertas.


Bruno:Carvalho

2018

FRAGMENTOS

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

A BELEZA DO FIM

                              ”A beleza existe onde menos se espera”.

        Abri a porta do quarto movido por uma esperança e fui descendo os degraus, um a um, afundado em pensamentos, consciente de emoções e incertezas.
        Quando me sentei à mesa, olhei para a minha mãe, do outro lado, sem, na verdade, a ver. Simplesmente, não a reconheci. As mãos torciam-se de modo diferente, o pescoço rangia de forma que o seu olhar dispersava-se por todos os pontos mortos da sala, todos os pontos, excepto o ponto nevrálgico do meu olhar ausente. A comida entrava-me na boca de modo automático, sem sabor, sem gosto. Não tirava particular prazer em enfardar hidratos de carbono e carnes despojadas de vida. Na sala de jantar difundia-se aquele cheiro adocicado a flores.
A obsessão da minha mãe por rosas enjoava-me profundamente e era vê-las por ali espalhadas, manchas difusas, vermelhas, amarelas, azuis, brancas, uma paleta multicolor e que contrastava com o ambiente cinzento e frio daquela sala sem fim.
        “Só as rosas me compreendem”, costumava dizer a minha mãe e eu questionava-me se a loucura era sua ou minha e se não passava dum desfasamento da realidade!
        Levantei-me em silêncio, nenhuma palavra era necessária, nunca foi e nem vai ser. O olhar sereno de minha mãe fixava-se nas suas preciosas rosas. É verdade,”a beleza não está no objecto, mas no olhar de quem o contempla.” Quem diria que alguém poderia descobrir beleza naquele cenário pós apocalíptico de um ambiente familiar.
        Saí para a noite O ar frio provocou-me um estado eufórico de êxtase. Abri a camisa e deixei a noite possuir-me. Caminhava no vazio, nas alamedas invadidas pelo silêncio. Também procurava a beleza, aquela beleza ostentada por um mundo invisível. Debaixo dos meus pés a folhas retorcidas pelo Outono estalavam numa melodia cacofónica de estalidos e crepitações nervosas. Rolei pela noite, lembrei-me das rosas da minha mãe, lembrei-me do seu estado catártico, da sua não existência num mundo físico e visível, questionei-me por ser tão diferente dela, apesar de ser a beleza que nos movia a ambos.
        Parei à beira rio. A névoa desprendia-se da superfície límpida daquele imenso espelho fantasmagórico. A minha respiração embaciava o olhar. Através do silêncio nocturno vieram vozes alegres, gritos de uma beleza maior e deixei-me guiar pela harmonia dos sons pelos suspiros incontidos. Deixei-me ir, certo de que encontraria a beleza perdida.
        Mais à frente, senti de novo, o cheiro a rosas. Senti os seus espinhos na minha mão, senti uma pequena torrente morna. Levei-a à boca e, o sabor férreo provocou em mim uma revolução interior. Senti-me crescer, senti-me maior que o ambiente que me rodeava. Tudo parecia, agora, mais brilhante e, na opacidade, descobri formas luminosas que se materializavam, percepções que começavam a fazer sentido. Rumei a uma dessas formas, agarrei uma das rosas e desfolhei-a. Aí vislumbrei, na escuridão, uma nova imagem…
As suas formas desapareciam e caíam de novo na noite. As vozes alegres tornaram-se gritos de alegria, o perfume das rosas misturava-se com a excitação que nascia em mim. Senti umas mãos que forçavam os meus ombros a dobrar, a descer à realidade, ao silêncio.
As cores das rosas misturavam-se naquele meu quadro cinzento. Cortei de novo o ar à minha frente, ouvi um ruído, senti-o no mais profundo do meu ser e, dava-me, naquele momento, a prova final da beleza.
Apercebi-me, então, que, afinal, a beleza era ainda mais misteriosa e a última coisa que ouvi foram as folhas caindo na calçada… Depois disso, só um silêncio de paz sem fim!

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

E TUDO O QUE PODERIA TER SIDO


E tudo o que poderia ter sido
E não foi…
Na ponta dos meus dedos
Impressões digitais impressas no papel
Lágrimas tingidas num lençol de emoções
E tudo o que poderia ter sido
E eu não quis que fosse
Todas as palavras consentidas
Todos os suspiros feridos na dança daquele amor

E tudo o que poderia ter sido
Se tivesse sonhado, se tivesse querido ser mais…
Do que uma miragem de mim
Um reflexo opaco, uma marca na parede
Amarelada pelo medo, descolorada pelo desespero
E tudo o que poderia ter sido
Se tivesse dito o que me oprimia
Todo o meu mal escarnecido e tingido
De formas subtis de ilusão
De gestos arrependidos apagados no papel

E tudo o que poderia ter sido
Se o amor não fosse tão fugidio
Tão cheio de curvas e encruzilhadas
Na ponta dos meus dedos
Cicatrizes antigas, memórias sufocadas
E tudo o que poderia ter sido
Para ti, meu amor
Para mim a minha dor infinita
Cruenta e desolada
Num triste dia de Inverno
E tudo o que poderia ter sido…

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

WHISPERS


Lord, I’m such in a dark place now…
Can hear dreadful whispers around me
God make them stop, I feel my sanity slipping through my fingers
Don’t know where they come from
All around me faceless men with bloody hands
Please make them stop…

I forsaken my demons, is this my punishment?
So much pain, the air feels eirie and damp
A sealed tomb, a open casket, the starless sky

My darkest hour, can’t see through the mist
It’s like light has vanished to outer worlds
Strings of fine silver hold my arms up high
God make them stop…

Bruno:Carvalho
Setembro 2018

terça-feira, 28 de agosto de 2018

CAOS


Alimentados pelos caos que nos define
Caminhamos perdidos arrependidos das incertezas causadas
Arrastamos pelo sangrento chão os despojos de uma escuridão maior
Incapazes de ver a luz que nos poderia salvar.

Somos filhos da noite e com ela comungamos o mesmo espírito
Somos filhos rebeldes de um deus ausente, incertos da nossa verdadeira natureza
Somos seres inconscientes da força eterna que carregamos
Somos tudo num nada, arrepiados pela beleza da lua, tornamos-nos unos

Uma só terra, unos com a força de mil e um tremores
Um só céu, unos com a beleza que nos arrebata
Um só mar, unos com as ondas e a infinidade das profundezas
Um só fogo, unos com o Inferno que nos atraí tão subtilmente.

Somos almas primordiais,
Forjadas pelas vicissitudes elementares do tempo esquecido
Somos espectros
Reflexos de mil espelhos partidos
Somos morte enquanto a vida se queda esquecida algures
Num futuro incerto, num passado esquecido, num presente caótico.

Bruno:Carvalho
2018

sábado, 18 de agosto de 2018

LUNA

Acordei com o miar dos gatos no telhado,
A noite ia ainda jovem, 
A luz lunar infiltrava-se por entre os buracos dos estores, 
E eu entre a vigília e o sono ancorava no esquecimento.

O teu corpo ao meu lado transpirava emoções
Dos meus lábios brotavam sabores diversos, fantasias suspiradas
Os amores soprados por quimeras perdidas
Embriagado pelo teu olhar, afoguei-me no teu sorriso.

Virei o corpo no mar de pétalas espalhadas nos lençóis
A luz das velas marejava o silêncio tranquilo
No copo o vinho tornou-se rubi, 
Cor de sangue do fogo que nos consumia

Naquele abraço eterno alimentei as chamas
A nossa solidão, uma ferida curada pela noite
Da primeira luz derramada alimentei o prazer
Do primeiro sangue oferecido alimentei a desgraça

E quando ambos metal e carne se encontraram
Beijei os teus lábios e provei a morte
Rasguei o véu, abri o estore, deixei a lua entrar
Da luxúria do desejo desabrocharam cumplicidades

Amarrei a saudade à cama
Os gatos já não miavam
Luna havia partido
E ambos metal e carne suspiraram um último adeus.

Bruno:Carvalho

segunda-feira, 25 de junho de 2018

SLEEPING SUN


May the sun sleep forever
May the night be my bride
May the moon chant an hymn of glory
A requiem for my lover's omen

I shall never be free
My soul still dwells among the fallen
Mourning the departure of faith
I will rest upon the remains of hope

May the sun sleep forever
May the beauty live in fragile moments
May death come to extinguish life
As I release my final breath into the night

This is my darkest hour
A vision of a sullen soul left astray
This is my elegy, my final call
My name shall be written in this crumbling wall.

Bruno:Carvalho

THE BLEAKNESS OF DEATH


And there I stood facing the path I’ve chosen
Like fallen leaves in the snow,
I leave my footsteps in the heart of every man
I’ve chosen the night, this is my night, a eternal night.
And I fought, I fought bravely for my forsaken freedom

I left you buried in ashes
The ashes of our mistaken love
The blood that stain my hands will make me remember
There will be things I’m destined to recall
Others simply will fall in forgetfulness

And now I lay frozen in this open tomb
The bleakness of death drowning my wretched body
In this prison inside I foreshadow the end of all life
Repent if you want to be saved
I’m already condemned.

Bruno:Carvalho

ETERNIDADE


Se eu pudesse captar os teus gestos
Pintá-los ia numa tela colorida
Se eu pudesse provar o teu sorriso
Se eu pudesse prender o teu olhar
Se eu pudesse ser o teu raio de sol
Aquela luz irrequieta de uma vela na tua noite
Se eu pudesse ser eu, um sopro de harmonia
Tocaria uma canção, uma melodia, um hino à tua beleza

Escrevi esta ode, esta alegoria à tua coragem
Se eu pudesse ser forte para rasgar a dor
Se eu pudesse ser corajoso para libertar o amor
Se eu pudesse ser tudo mesmo sendo quase nada
Desejava ser o teu pôr-do-sol, a tua lua, a tua aurora
Deseja ser o teu mar, o cais onde pudesses descansar
Desejava ser uma lembrança, uma daquelas que guardas no coração

Nasce o dia, morre o sonho, vive a promessa
No brilho do teu olhar, na tranquilidade do teu sorriso
Meu amor, no nosso sonho não existe adeus
No nosso sonho a eternidade nunca é longe demais.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 20 de junho de 2018

REDENÇÃO


Não é estranho quando no silêncio ecoa a saudade?
As palavras perdem-se,
Os dias passam incólumes ao sofrimento
Tudo deixa de fazer sentido

O tempo não volta atrás
Não existe maneira de apagar
Aquelas palavras,
Tão docemente ditas

Tudo o que resta,
Aquela perene saudade ancorada,
No silêncio

O perdão está ao alcance de uma mão
À distância de um pensamento
Haverá coragem de enfrentar,
A corrente furiosa do tempo e pedir redenção?

Bruno:Carvalho

domingo, 17 de junho de 2018

TUDO OU NADA


Lei e Amor trazem a Força
Do Caos ao Princípio Inconsciente
Da Luz do Tenebroso olhar
Agora a Alma e o Ser são um
Agora ao Espírito é Possível
Ver o futuro ausente.

Escondo Tenebroso olhar
Sem poder, sem ter Força
Sei que a Alma e o Espírito
Não respeitam lei ou Princípio
Nem o Amor leva ao Caos
Nem o Ser à Luz.

O todo leva ao nada
     O nada, leva ao esquecimento.

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 6 de junho de 2018

NOS MEUS POEMAS A TUA BELEZA


Rabisco nos meus poemas a tua beleza
A curva do teu rosto, a profundidade dos teus olhos
Em cada verso um aroma do teu beijo
Em cada letra, a força que me impele a seguir em frente

Rasuro nos meus poemas a escuridão
Dou-lhes novas formas, formas de luz e esperança
Fragmentos libertados na noite
Em cada verso a doçura do luar

Descrevo-te no mais profundo de mim
O meu ser como refúgio para os teus medos
O meu coração como ponte sobre o abismo
E a minha fragilidade como garantia de paz.

Bruno:Carvalho

sexta-feira, 1 de junho de 2018

DE TI

Sempre gostei de ver as tuas fotos, talvez porque ao olhá-las assim tão ferverosamente achasse que pudesse sorver toda alegria dos teus sorrisos, como se ao tocá-las te tornasses mais real e estivesses tão perto que te pudesse abraçar.
                Confesso não ser fácil lidar com esta distância tão próxima mas ao mesmo tempo longa, como se a linha do canteiro de flores do jardim fosse tão grande como um abismo e que aos poucos se afastava. Pois é, não é nada fácil querer-te assim em mim e ao mesmo tempo perder-te desta maneira.
                Ao tempo o que é do tempo, embora o meu tempo tenhas sido tu, e os anos falam por si, como se a primeira luz da manhã fosse a vela ao lado da nossa cama, o pardal no beiral a música, baixinha, no escuro e a relva do quintal os nossos lençóis.
                Lembro-me de te querer como fogo que precisa de oxigénio para crescer, lembro-me de te amar como a mulher, a única mulher que alguma vez fez sentido na minha vida.
                O primeiro beijo é sempre o mais apetecido e aquele nosso naquele jardim à beira rio foi tão inocente quanto delicioso, é bom, quando do nada e sem qualquer expectativa surge o tudo e a plenitude. Sim, lembro-me do teu beijo.
                Lembro-me também das tuas palavras feitas de doçura tão fervente, palavras cândidas escritas em papel de seda, e desenhos como tatuagens que marcam a pele do poeta sonhador que sou eu.
                A esperança, ah essa desdita lembrança de a ter, quando a tenho, tenho-te, quando a perco definho lentamente no fio escarlate que corre nas minhas insónias.
                Noites mal dormidas entre sonhos teus e acordares de vazio, o teu corpo no meu num sonho febril e o meu acordar a abraçar o vazio.
                Confesso que para mim o tempo não passa e a eternidade nunca será demasiada para esperar-te, amar-te não me faz mais velho ou mais esquecido é algo que vive comigo há tantos anos…
                Pois é minha querida, como uma lembrança aquele coração envolto em rosas, uma marca no peito que sobrevive ao desânimo.
                Lembro-te ainda porque esquecida não estás, espero-te meu amor porque a ferida ainda transborda de sangue e a distância ainda não conseguiu cicatrizar o que a paixão provocou.


Bruno:Carvalho


quarta-feira, 30 de maio de 2018

DEATH OF LOVE


Can you feel it?
It’s the righteous death of love
I burn my eyes for your demise
Your soul still lingers, still dwells in this place

Can you feel me?
It’s the bitterness of solitude
I decipher riddles to hold back oblivion
Your body still anchors my heart

Can you taste freedom?
Your wings unfurl in the midnight sky
They call you an angel, I call you disgrace
I foreshadow fire, I burn within

Can you see it?
Bleakness comes in these dreadful hours
Sorrow disguises my cold embrace
I raise my mask, I long to be forgotten

Applause, in stillness
Love is dying

Bruno:Carvalho

O FUNDO DE MIM


Toquei de novo o fundo de mim
Provei o fel, bebi da taça do silêncio
Mergulhei no sonho pois a realidade era crua demais
Adormeci, desejei que a dormência tomasse o meu corpo para sempre

Desci de novo ao fundo de mim
Para tentar descobrir de novo quem sou
Aprisionei-me para ser livre
Fiz-me memória só para poder ser esquecido

Rasguei a segunda pele, fiz sangrar a alma
Despedi-me do mundo, esperei pela queda
Deixei a noite devorar o medo
E esperei, esperei renascer na chegada da manhã.

Bruno:Carvalho



sexta-feira, 18 de maio de 2018

REDENÇÃO


Não é estranho quando no silêncio ecoa a saudade?
As palavras perdem-se,
Os dias passam incólumes ao sofrimento
Tudo deixa de fazer sentido

O tempo não volta atrás
Não existe maneira de apagar
Aquelas palavras,
Tão docemente ditas

Tudo o que resta,
Aquela perene saudade ancorada,
No silêncio

O perdão está ao alcance de uma mão
À distância de um pensamento
Haverá coragem de enfrentar,
A corrente furiosa do tempo e pedir redenção?

Bruno:Carvalho

quarta-feira, 28 de março de 2018

FIOS DE LUZ

Hoje acordei decidido a viver o meu sonho. 
Por isso fechei a janela e não te deixei partir, mantive-te aqui, perto de mim, junto ao coração, no centro da emoção. Tu que és feita de noite, de lua, estrelas, tu que és um milhão de fios de luz na minha escuridão cerrada.
Sei que mais cedo ou mais tarde vou ter que te deixar voar, que vou ter que encarar a realidade e deixar os sonhos na noite. 

No entanto permitam-me que me delicie com esta sensação de imortalidade, apenas por um dia, este dia, que te tenha em mim, tu que és feita de inspiração de poetas, de contadores de histórias, de epopeias de príncipes e princesas, de amores impossíveis e histórias de vida.

Permitam-me que sonhe mesmo acordado, porque me sinto abençoado, um dos escolhidos, um dos que encontrou a sua musa, a única, duas vezes numa vida...
Sei que esta noite adormecerei, continuarás comigo, mas um novo sol nascerá por trás do monte e aí terei de te deixar partir, rumo ao sol poente, rumo a casa e ao teu próprio sonho. 
Deixem que continue tolo por mais um dia, pois de todos os tolos aquele que sonha o impossível acabará inevitavelmente por ser feliz.
Hoje sonho o que nunca esqueci, o que perdi e achei de novo, hoje anseio ser uma irrealidade, uma impossibilidade, um suspiro, um beijo nos teus lábios.
A noite chega célere, sei-o no meu corpo, no meu coração renitente a deixar-te ir, mas devo-te isso, a liberdade de poderes voar em toda a tua glória, em toda a tua beleza.
Estás à distância de um olhar, de um murmúrio, de um desejo.
És cais seguro no meu mar revolto e sei que no fim sempre te terei nos meus sonhos.
Caminhas segura ao meu lado, em todo o meu ser e arredores.
Hoje acordei decidido a ter-te mesmo nunca te tendo. 
Olharei sempre as estrelas, vê-las-ei sempre na noite mais escura, no céu mais enevoado, é uma segunda chance de viver, mesmo que tudo o que deseje não passe disso mesmo, um desejo num castelo feito de nuvens brancas.

Bruno:Carvalho



sexta-feira, 9 de março de 2018

NOCTURNO

Apartemo-nos, pois não andamos mais que a fingir passos em frente, olhando de lado em espelhos baços, apartemo-nos pois aqui não mora o desassossego.
Desconjuntara-me, necessito de fontes mais precisas de prazer, a languidez do teu corpo já não oferece o tal abrigo merecido. Deixa-me. Prescindo do teu brilhante intelecto para me dedicar ao estudo das coisas mundanas.
Fingimento. É este o constrangimento que me faz neste momento avançar para a dissolução. Prefiro dissolver-nos do que ver-me diluído na pasmaceira dos dias. Não sou poeta, não faço rimas, não ouço a lua, faço da noite apenas uma passagem, como se fosse um túnel para reencontrar de novo o sol.
Fazes-me lembrar a noite, por isso desdenho continuar a alimentar a tua deslumbrante beleza lunar.
Passo a vida embriagado por palavras. Perdido no emaranhado de abraços em que me teimas prender. Quero ser livre. Quero ser Ícaro e se necessário voar direito ao sol. Se for esse o preço, fá-lo-ei. Não duvides! A minha existência já meio amadurecida está para além de quaisquer dúvidas ou incertezas.
Ris-te.
Eu sei que te ris aí ao fundo no escuro, no teu nicho de prazer, brincas neste momento com as tuas mãos, sinto-o.
Riste porque sabes o destino de Ícaro. Riste porque a noite volta sempre. E eu como a maré, volto ao mar, ao teu mar.
Sorris pacientemente porque sabes que volto. Permites-me estes assomos de rebeldia, jogas com tudo isto para aumentares o teu jogo de prazer, sei-o bem, demasiado bem para a minha própria sanidade.
Tens razão.
Sempre a maldita razão, volto ao teu conforto lunar, à tua poesia erótica, ao teu romantismo obscuro. Volto porque sei-me feito da mesma massa embora iludido que poderia ser de outra, mais solar, mais brilhante.
Não nos apartemos mais então, que termine esta farsa. Entrega-me o teu corpo para dele fazer vaso da minha paixão. Isso. Liberta-me dos sonhos pois deles não preciso. Liberta-me da ilusão pois ela sempre me traiu.
Sim, é o teu corpo que desejo, os teus braços lunares e os teus olhos de inocência.
Julgava eu não ter em mim a poesia, a rima certa que compõe o soneto, enganado de novo pelo sufoco de querer ser diferente.
Amordaça-me com o teu fogo, prende-me aos grilhões e dá-me prazer, lê-me Sade pois a noite é ainda apenas uma criança inocente.
Continuamos a olhar de lado em espelhos baços certos que deles nada vislumbramos. É melhor assim, dar passos falsos em frente do que morrer parado entre a noite e a madrugada.


Bruno:Carvalho



MARILYN

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